Que felicidade o dinheiro pode trazer?



Está nos portais noticiosos novamente. O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e sua esposa, Priscilla Chan, venderão milhões de ações da empresa nos próximos meses, o que pode lhes render até US$ 12 bilhões.

O objetivo, no entanto, não é comprar uma ilha paradisíaca, construir novas instalações para a corporação ou modernizar os equipamentos de controle da rede social. A ideia é utilizar esse dinheiro em projetos externos, de alto impacto social.

Em 2015, Zuckerberg já havia anunciado que doaria 99% das ações do Facebook a iniciativas que possam beneficiar a humanidade, especialmente nos campos da educação, da saúde e da geração de ocupações profissionais.

A ideia, no entanto, não é recente. Andrew Carnegie (1835 – 1919) foi um dos mais ricos homens de seu tempo, liderando o império industrial do aço nos Estados Unidos. Pois ele passou os 18 últimos anos de sua vida simplesmente distribuindo (com critério) o dinheiro que havia acumulado.

Investiu em fundações, universidades, bibliotecas e centros de pesquisa. Em um artigo de 1889, ele escreveu o “Evangelho da Riqueza”, no qual sugere que o indivíduo passe a primeira parte da vida buscando o máximo de saber possível, a segunda parte fazendo o máximo de dinheiro que puder e a terceira parte doando esses valores para as nobres causas.

Nesta última fase, a proposta é evitar a canalização de recursos para obras que mantenham os pobres na pobreza, imóveis na escala social.

Hoje, ele tem sido ouvido e seguido por considerável parcela dos maiores magnatas do mundo capitalista.

É o caso de Pierre Omidyar, fundador do eBay, que por meio da Omidyar Network já empenhou US$ 992 milhões em organizações sem fins lucrativos e também em companhias com fins lucrativos que funcionam de modo sustentável, gerando produtos e serviços nas áreas de comunicação, educação, engajamento cidadão e inclusão financeira, entre outros.

Mas, afinal, o que pensam os gestores da instituição? Acreditam que as pessoas são naturalmente boas e capazes, mas raramente ganham reais  oportunidades de mostrar suas competências. Assim é porque não são notadas nem ouvidas por quem detém o capital.

Portanto, muito mais do que simplesmente doar recursos, a turma de Omidyar aposta no chamado impact investment, ou seja, em ações afirmativas que possam impulsionar projetos e desenvolver negócios sustentáveis, habilitados a aproveitar talentos, gerar ocupações e produzir benefícios sociais e econômicos.

Outra característica dos novos “filantropos” é a ênfase em métricas de resultados. Acabou a era do distribuir dinheiro para ficar de bem com Deus ou com a própria consciência. A ideia é investir, acompanhar a iniciativa e medir o tamanho do benefício produzido.

O termo que define essa visão é “altruísmo efetivo”. Utiliza-se a razão, mais do que a emoção, na tomada de decisões. A pergunta básica é: onde o meu dinheiro pode gerar maior e melhor impacto?

O co-fundador do Facebook, Dustin Moskovitz e sua mulher Cari Tuna, somam nessas fileiras. Estão investindo, por exemplo, em projetos menos badalados, como o de suprir a deficiência de iodo em populações de países em desenvolvimento.

Quando falta esse micronutriente ao organismo, o indivíduo pode sofrer retardo mental e desenvolver o bócio (hipertrofia da glândula tireoide).

No Brasil, cresce a atenção aos projetos de “valor compartilhado”. Trata-se de um conceito que vai além da responsabilidade social. O objetivo é criar valor e buscar resultados em ações interconectadas, multiplicadoras de benefícios econômicos e sociais.

É o caso, por exemplo, de uma rede de supermercados que investe em educação pontual e auxilia seus fornecedores a produzirem mais, melhor e com menor impacto ambiental.  

Se estamos falando sobre alimentos, os benefícios são enormes. O agricultor pode aumentar seus ganhos, empregar mais e aquecer o mercado de implementos e insumos agrícolas.

Quando eleva a qualidade de um tomate ou de uma pera, por exemplo, estende o bem para os consumidores.

Segue por aí a nova onda do capitalismo, conforme previ em meu livro A Economia do Cedro. Em futuros artigos, pretendo oferecer aos leitores outros exemplos dessa revolução no modo de pensar, investir e produzir.

Esse esforço planejado traz, sim, uma parte significativa da felicidade!

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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quarta-feira, 04/10/17