Que fazer quando sua profissão desaparecer?



Na aurora dos anos 2000, ao lançar meu primeiro livro, Reinventando Você, analisei questões que me pareciam relevantes no universo do trabalho.

Na época, ao estudar o inexorável avanço da revolução tecnológica, considerei a hipótese de que muitos produtos, negócios e profissões tinham seus dias contados.

A história exibiu processos rápidos de metamorfose. Os disquetes de 3½ polegadas que utilizei na produção da obra, por exemplo, desapareceram logo depois.

No meu caminho de casa para a empresa, conferi o fechamento paulatino de muitas bancas de jornal, locadoras de vídeo e lojas de CDs. Evidentemente, sumiram as tarefas das pessoas que faziam funcionar esses empreendimentos.

O uso da comunicação eletrônica e dos sistemas de pagamento digital fizeram declinar no mundo inteiro o número de carteiros. Por motivos semelhantes, o seu banco tem cada vez menos caixas de carne e osso.

Tom Watson, membro do parlamento britânico e estudioso da economia digital, adverte que governos e empresas precisam agir com rapidez para criar novos tipos de ocupação.

A consultoria Deloitte considera que 35% dos empregos no Reino Unido estão ameaçados pela automação. Outros estudos elevam a 50% a faixa de risco.

Watson lembra que hoje muitos norte-americanos fazem suas declarações de imposto de renda por meio de softwares, desprezando o tradicional auxílio do contador.

O parlamentar lembra que parte da programação dos computadores já é realizada pelas próprias máquinas, que se valem de complexos algoritmos. Portanto, as criaturas ameaçam até mesmo seus criadores.

Ross, um advogado-robô sabe-tudo, já está servindo a conceituados escritórios do setor. Rápido e certeiro, ele está por trás de vitórias humanas nos tribunais.

Robôs já eliminam funções no chão de fábrica há um bom tempo. Seguem derrubando, sobretudo, os trabalhadores de baixa qualificação nos países desenvolvidos.

Agora, no entanto, investem também sobre redutos profissionais da classe média. Não dormem, não saem para o almoço, não tiram férias e não brigam por salários maiores.

É evidente que a onda digital também tem gerado novas ocupações, muitas delas ainda não devidamente nomeadas e pouco conhecidas da maior parte das instituições de ensino.

Se a meta é buscar equilíbrio social e desenvolvimento econômico, convém investir na identificação dessas novas demandas e na formação de uma mão de obra reconfigurada, apta a transferir-se da plataforma analógica para a digital.

O desafio dos agentes da transformação, públicos ou privados, é aproveitar o máximo das máquinas e também das pessoas.

Não é ruim que os ônibus percam seus cobradores, trocados por leitores óticos de cartões. Péssimo é quando não se encontra devida ocupação para o trabalhador preterido.

Ótimo é quando um ex-cobrador pode se tornar um educador físico para idosos ou um contador de histórias em hospitais da rede pública. Maravilha se ele passa a ser bem pago para gerir o jardim de plantas medicinais de seu bairro.

Sigo a ideia de Watson: a tecnologia é uma ferramenta a serviço da humanidade. Se soubermos planejar nosso futuro, os robôs poderão nos livrar das tarefas monótonas ou insalubres da atividade produtiva.

Teremos a oportunidade de pensar mais, criar mais e viver de forma mais feliz.

Para isso, porém, precisamos expandir o processo de reinvenção dos negócios, das corporações e do próprio trabalho.

Se a máquina assume atribuições e responsabilidades, convém nos tornarmos autenticamente humanos, ainda mais humanos.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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quarta-feira, 18/01/17