Qual será seu trabalho no futuro próximo?



Por ocasião do 1º. de Maio, o feriado foi movido a polêmicas. Governo, empresários e sindicatos protagonizaram uma feroz contenda sobre a reforma trabalhista em análise no Congresso Nacional.

O mais surpreendente, no entanto, é que pouco se discute sobre a natureza do trabalho nesta época marcada pela mudança. Um debate educativo sobre a questão certamente contribuiria na busca de convergências.

Primeiramente, é preciso lembrar que o trabalho não foi inventado para gerar empregos, e sim para dar conta das necessidades humanas.

Desde os caçadores-coletores do Paleolítico, os humanos desenvolvem atividades com a finalidade de comer, beber, vestir e morar.

Portanto, o trabalho está sempre associado a uma atividade necessária, seja ao indivíduo, a sua pequena comunidade ou ao conjunto de comunidades que compõe a cidade, o país ou (mais recentemente) o mundo integrado pelo comércio.

Nenhuma civilização foi capaz de manter o trabalho apenas para gerar salário ou benefício para os trabalhadores. Qualquer ação produtiva atende a uma demanda.

Se as sociedades mudaram, convém imaginar que foram também alteradas as necessidades e as demandas. Não precisamos mais de máquinas de escrever, pagers ou fitas VHS. Daí, supõe-se que os colaboradores desses segmentos de indústria hoje se ocupam de outros ofícios.

Outro fator importante a ser avaliado é a rápida extinção do trabalho de rotina. São cada vez mais raras as ocupações de repetição nas linhas de produção.

A mecanização e a automação garantem uma operação mais barata, rápida e precisa. É o que explica a miniaturização das plantas industriais e a redução da chamada classe operária.

Outro tipo de trabalho em metamorfose é aquele que envolve talentos e habilidades pessoais. É o caso, por exemplo, de vendedores e especialistas em consertos gerais.

Bons vendedores sempre serão necessários. Mas, em algumas situações, a Internet executa o serviço com vantagens. Ela vende, por exemplo, mais e melhor do que o sujeito que gastava a sola do sapato para oferecer enciclopédias de porta em porta.

Pelo computador, cada um pode encontrar o conteúdo, mesmo de papel, que procura, sem a necessidade de um intermediário.

No mundo atual, também é verdade que pouca coisa se conserta. Primeiramente, porque os programas industriais de qualidade reduziram os defeitos nos equipamentos. Você se lembra dos aparelhos de TV dos anos 60 e 70? Pois, viviam no “técnico” para reparos.

Além disso, aposta-se hoje, sobretudo, no upgrade ou na troca de equipamentos. É o que ocorre, por exemplo, com os aparelhos móveis de comunicação, que um dia chamamos de celulares.

Por fim, temos aquelas categorias que lidam com dados, informações e números, nas quais a presença humana ainda parece fundamental.

Nem tanto… Só para encurtar, em lugares como os Estados Unidos, já há quem recorra a um robô para fazer a declaração de renda, desprezando os saberes do contador de carne e osso.

Aliás, já existem até mesmo advogados virtuais, como aquele “empregado” pela banca norte-americana Baker & Hostetler em sua divisão que lida com falências.

Ok, parece tudo muito assustador. Nem tanto assim. No início do Século 19, os luditas destruíram fábricas porque acreditavam que as máquinas roubariam seus empregos para sempre. Estavam errados.

O desenvolvimento econômico sempre gera novas ocupações. Há outra salvaguarda importante, inerente ao capitalismo: a necessidade de mercados consumidores.

Se o sistema eventualmente trocar toda a mão de obra por robôs, quem vai comprar os produtos que alimentam o caixa das empresas?

A professora Naomi Stanford, especialista em design organizacional, acredita que os novos trabalhadores, especialmente os mais jovens, precisam desenvolver engenhosidade, resiliência e responsabilidade.

Mais do que saber fazer alguma coisa, as pessoas precisarão descobrir que coisa de valor pode ser feita e, de alguma forma, vendida à sociedade.

Ou seja, o trabalho do futuro dependerá, sobretudo, da habilidade de se fazer algo relevante, útil, necessário e pelo que outras pessoas estejam dispostas a gastar dinheiro.

Então, é possível olhar com esperança para o futuro? Sem dúvida, mas quebrando paradigmas, reinventando o trabalho, quantas vezes for necessário.

“Para isso, precisamos nos desenvolver e, nessa preparação, desenvolver novas capacidades”, orienta Naomi.

Se tudo muda e se tudo mudará muito mais, não podemos nos apegar aos antigos modelos. Se a expectativa de vida aumentou, por exemplo, é evidente que trabalharemos por mais anos, e é claro que teremos de continuar produtivos e relevantes.

No futuro próximo, que tipo de trabalho você pode oferecer a este novo mundo? Pense nisso e comece já a planejar sua reinvenção.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
Compartilhe!

terça-feira, 02/05/17