Qual o benefício de apostar na inovação?



Semana passada, alguns dos principais jornais do mundo noticiaram o desenvolvimento do Vantablack, isto é, da “cor” mais preta do mundo, uma superfície que absorve 99,96% da luz.

É uma invenção da empresa Surrey NanoSystems, que conseguiu reunir um bilhão de nanotubos de carbono em cada centímetro quadrado. Mas, afinal, para que serve?

Aparentemente, para nada. Um exame mais detido, no entanto, mostra inúmeras aplicações para o produto. Será usado, por exemplo, para forrar telescópios óticos e tornar mais precisa a investigação científica. Servirá como fundo para relógios e servirá como base infinita para ambientes e salas de projeção.

O mais interessante é que muitas dessas aplicações nem passavam pela cabeça dos inventores. Surgiram justamente das demandas dos futuros clientes.

Aliás, muitas das principais invenções, a princípio, pareciam inúteis. É o caso do telefone, que demorou até que sua óbvia utilidade fosse percebida por empresas e usuários.

Outras tantas invenções de sucesso resultaram de experimentos que supostamente deram errado, como o Viagra e o Post-It. O fundador da Honda, Soichiro Honda, disse certa vez, com razão: “o sucesso representa o 1% de trabalho que resulta dos 99% chamados de fracasso”.

Essa grande margem de fracasso explica a rejeição de muitas empresas às iniciativas inovadoras. Sabem que o erro é inevitável e se mostram pouco dispostas a custear novas tentativas e aprimoramentos.

Enfim, podem efetivamente economizar em soluções conservadoras, mas pagarão mais adiante com obsolescência e perda de competitividade. Este é um dos dilemas que abordo detalhadamente em meu livro Reinventando Você.

Hoje, o melhor lugar para inventar, testar e errar (antes de acertar) se chama startup. Muitas delas prosperaram no Vale do Silício, fracassando muito antes da descoberta de soluções tecnológicas economicamente sustentáveis.

Em uma época marcada por rápidas transformações, no entanto, a sobrevivência de empresas consolidadas também depende de processos contínuos de inovação.

É o caso da indústria automobilística, por exemplo, em que o êxito está diretamente ligado ao processo de inovação. O mercado pede veículos mais seguros, com baixo custo de manutenção e que poluam menos o meio ambiente.

Essa cultura, no entanto, exige uma alteração da visão utilitarista dos gestores. O Google, por exemplo, incentiva a experimentação e até recompensa quem fracassa em uma ideia. Avaliado e compreendido, o revés gera conhecimento e facilita o avanço em novos projetos.

Tendayi Viki, autor do livro The Corporate Startup, afirma que as grandes empresas devem constituir ecossistemas internos para inovar como startups.

Segundo ele, os inovadores devem estar cientes de que a mudança é sempre assustadora para muitas pessoas. Quem quiser vencer, precisará conquistar corações e mentes, bem como dar alguns passos para trás de vez em quando.

De acordo com o especialista, além da criação de produtos e da reinvenção de processos, é preciso constituir uma cultura de inovação. “Temos de realizar o duro trabalho de dialogar com nossos colegas mais resistentes até encontrar um terreno comum”, explica.

Dezembro é um ótimo mês para se pensar em processos de inovação. Lembra daquela ideia “maluca”? Será que não gera um negócio lucrativo? Não será que agrega valor a sua empresa já consolidada?

E aquele colaborador que apareceu com uma proposta estranha e ousada? Que tal dar uma nova olhada no e-mail em que ele rascunhou o projeto?

Os antigos desbravadores de mares anunciavam que, sobretudo, navegar era preciso. Eles tinham razão. Hoje, inovar é preciso. Porque dessa aventura depende a sobrevivência das empresas e o desenvolvimento da civilização.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
Compartilhe!

segunda-feira, 11/12/17