Por que celebrar também os fracassos?



Na semana passada, lembrando a experiência de meu pai, mostrei como é importante celebrar os bons resultados de um empreendimento.

Neste artigo, quero explicar por qual motivo a boa psicologia ordena que também festejemos os maus resultados.

Como?! É isso mesmo! Os fracassos servem como excelentes mestres. Se devidamente valorizados, registram indelevelmente na memória o jeito como não devemos fazer as coisas.

O empreendedor, inventor e escritor Astro Teller é o chefão da Fábrica Moonshot, um laboratório de atividades da “X”, unidade de pesquisa da Alphabet Inc., holding das empresas associadas ao Google.

Ele conta, com orgulho, que quando um projeto dá errado ou se mostra inviável, os membros das equipes responsáveis são recompensados e aplaudidos pelos colegas. Recebem abraços e bônus de pagamento.

Segundo Teller, esse é o chamado “ceticismo entusiasmado” que norteia as ações da corporação. Mas o que vem a ser, exatamente?

Nessa empresa de inovação, atrevidamente dedicada a resolver os grandes problemas mundiais, tudo é pensado e testado, até mesmo os projetos aparentemente mais absurdos.

Mas para que as pesquisas caminhem de maneira apropriada, é preciso que os erros e obstáculos sejam logo descobertos, o que poupa tempo, recursos e energia. É o chamado fracasso seguro.

O laboratório abandonou, por exemplo, um projeto de agricultura vertical automatizada que utiliza dez vezes menos água e 100 vezes menos terra do que o sistema convencional.

Tudo parecia uma maravilha, com colheita robotizada e iluminação econômica. No entanto, os pesquisadores perceberam que desse modo não podiam cultivar alimentos básicos, como arroz e outros cereais.

Quando se certificaram dessa impossibilidade, celebraram, porque podiam dedicar suas mentes e mãos a outra atividade mais proveitosa.

Noutra ocasião, começaram a desenvolver um veículo de carga mais leve que o ar, flutuável, menos poluente e de fácil dirigibilidade. De repente, chegaram à conclusão de que o protótipo custaria US$ 200 milhões.

Era muito dinheiro, que seria investido em uma engenhoca de futuro incerto. Assim, engavetaram o projeto, felizes por economizar recursos e poder iniciar uma nova empreitada.

Quando isso ocorre, o foco se move colaborativamente para outros projetos em curso, como aquele do carro completamente autônomo do grupo.

Os veículos da coligada Waymo até já se envolveram em acidentes, mas que também foram celebrados como oportunidades de aprendizado, ainda mais porque ninguém se feriu seriamente.

Foi o caso de uma unidade que tentou desviar de sacos de areia e, na manobra, atingiu um ônibus. A empresa afirmou publicamente que aquela foi uma chance de aprender com o erro e aperfeiçoar o sistema.

E você, de que forma tem encarado o erro e o fracasso? Tem estudado os porquês das falhas e tropeços?

Afinal, responda: como alguém pode esperar um resultado distinto se repete, sempre, a mesma fórmula do fazer?

Preste, pois, atenção ao Professor Erro. Celebre suas valiosas lições. Aprenda, corrija-se, aprimore-se, faça diferente e credencie-se ao triunfo.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 25/07/17