Planejamento, Gestão e Estratégia de Negociação como presente de Natal?



Nesta época, depois de uma palestra ou conferência, frequentemente ouço uma pergunta que foge do tema corporativo em análise:

- Julio, você poderia me ajudar na escolha de um presente de Natal para o meu filho?

Pois bem, pretendo arriscar neste pequeno artigo uma resposta.

Muitos dos executivos de hoje cresceram jogando o famoso Banco Imobiliário (Monopoly).

O ancestral do brinquedo surgiu em 1904, quando a norte-americana Elizabeth Magie Phillips criou um jogo para explicar a teoria de Henry George sobre os problemas da concentração fundiária.

O “Landlord’s Game” foi lançado comercialmente em 1.924.

O sucesso do produto inspirou Charles Darrow a desenvolver e comercializar, dez anos depois, o “Monopoly”, que no ano seguinte passou a ser fabricado com o selo da Parker Brothers.

Desde essa época, muita gente encontrou no Banco Imobiliário uma primeira escola sobre planejamento, gestão e estratégia de negociação.

O jogo foi atualizado muitas vezes e ganhou inúmeras versões, além de inspirar inúmeros outros produtos lúdicos do gênero.

No caso da América Latina, em particular, o Banco Imobiliário (produzido no Brasil pela Estrela) tem sido um interessante instrumento didático sobre empreendedorismo e uso do dinheiro.

Isso porque nossa cultura ainda trata esse assunto como tabu. Considera-se uma espécie de pecado introduzir a petizada no cenário da atividade econômica.

Ok, o Banco Imobiliário e os congêneres são bons presentes. No entanto, há uma questão importante a ser considerada por você, bom pai ou boa mãe.

É fundamental que você participe do jogo, que seja parceiro de seu herdeiro no exercício de aprendizado e diversão.

Sem a devida assistência, uma ferramenta lúdica como essa pode estimular a ganância e comportamentos pouco éticos.

Ou seja, muitas vezes a vitória, em si, passa a valer mais do que a aventura do conhecimento.

No futuro, já na vida corporativa, esse “jogador” pode abraçar condutas pouco louváveis.

Obviamente, você não quer que seu filho pratique assédio moral no trabalho, que sabote concorrentes ou que desenvolva uma atividade danosa ao meio ambiente.

Quando era criança, ganhei um belo presente, entregue não somente no Natal, mas todos os dias.

Em seu modesto comércio, meu pai, José Julio, ministrava, na prática, formidáveis lições de marketing, gestão e negociação.

Nas artes do balcão, trocar um copo de lugar podia fidelizar um cliente e, consequentemente, incrementar vendas e aumentar a receita.

Mais que tudo, ele soube me ensinar a ser persistente, justo e correto. Muitos anos depois, atuando como consultor ou conselheiro de grandes empresas, ainda utilizo esses saberes.

Portanto, uma caixa com tabuleiro, cartas e dados pode sim se converter em um bom presente de Natal.

No entanto, virtude maior reside na conversa franca, no exemplo pessoal, no cotidiano pedagógico em que o empreendedorismo é estimulado, em que a honestidade é apresentada como um ativo de alto valor na vida profissional.

Neste Natal, e nos outros 364 dias do ano, sente-se para conversar com seu filho. Este é o melhor presente que você pode lhe dar. E é também a garantia de um futuro melhor para quem você mais ama.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 13/12/11