Para superar desafios: calma ou animação?



Se o país vive uma crise, é certo que sobra ansiedade entre as figuras públicas, entre os empreendedores, entre os profissionais. Quando o desafio é o cumprimento de uma missão decisiva, obviamente, multiplica-se o desconforto. Esse é um dos motivos pelos quais vemos parlamentares empacarem no discurso e tantos talentos corporativos se atrapalharem na hora de vender boas ideias.

Nesses momentos de tensão e expectativa, é natural que ouçamos a recomendação comum: "mantenha a calma"! Foi o que apurou a cientista social Alison Wood Brooks, professora da Harvard Business School. De acordo com ela, porém, essa pode ser a conduta mais inadequada em situações críticas.

Ela conduziu um experimento interessante, pedindo que seus alunos preparassem em poucos minutos um discurso sobre a colaboração no trabalho e o submetessem a uma plateia. A fala seria analisada por um especialista e filmada. A reação natural de muitos dos participantes foi negativa. Deixaram-se tomar pelo medo e pela desconfiança.

Separados em dois grupos, os participantes da atividade foram, então, estimulados à calma e à animação. Em voz alta, uma parte dizia, pouco antes da apresentação: "estou calmo". Outros repetiam o mote: "estou animado". O resultado foi curioso. Os que foram induzidos a agir de forma animada alcançaram desempenho significativamente superior.

No final, seus discursos foram considerados 17% mais persuasivos e 15% mais confiantes do que daqueles incentivados a buscar a conduta calma. Os animados também resistiram no palco por mais tempo, em média, 37 segundos mais que os induzidos à calma. Outros dois experimentos publicados no Journal of Experimental Psychology General geraram resultados semelhantes.

Mas, afinal, por quê? Se alguém já está nervoso e tenso, o pedido para que fique calmo adiciona uma obrigação ao menu de missões. É por isso que os insones se tornam mais inquietos quando alguém lhes repete a frase comum em livros e obras cinematográficas: "tente dormir um pouco".

Segundo Alison, em caso de emoção intensa, a busca súbita da calma equivale a tentar desacelerar bruscamente um automóvel em alta velocidade. O mais apropriado, segundo a pesquisadora, é aproveitar a energia e tentar canalizá-la à realização da missão proposta.

Está aí, portanto, a aposta na quebra do paradigma. Se há instabilidade, se existe pressão, talvez a melhor solução não seja forçar a busca da serenidade. Melhor será converter essa "eletricidade" em força de ação. Lembre-se da última vez em que você perdeu o foco porque sua atenção estava voltada para a difícil missão de se tranquilizar.

A história oferece muitos exemplos do sucesso dos "animados". Pense no pressionado Dom Pedro I, às margens do Ipiranga; no nervoso Martin Luther King, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington; nos tensos fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, diante do poderoso investidor Andy Bechtolsheim, que faria o primeiro aporte de capital na nova empresa.

Está nervoso? Vire o jogo. Transforme a tensão em combustível e salte à frente.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 04/07/17