Para que serve a degustação?



Você percorre os corredores a fim de efetuar suas compras do mês, e lá vem o moço de aventalzinho oferecer-lhe um cubinho do novo queijo à venda nas gôndolas do supermercado. Pronto, é a famosa ferramenta de marketing denominada degustação.

Trata-se de criar uma experiência positiva com o produto ou serviço, bem como gerar uma relação de simpatia com a empresa que oferece a cortesia.

A degustação existe desde que foi criado o comércio. Os fenícios já ofereciam um tiquinho do que vendiam a seus possíveis clientes, um milênio e meio antes do nascimento de Cristo.

Em tempos recentes, no entanto, a degustação se sofisticou. Há testes de direção de novos modelos de veículos, sessões de avaliação em academias de ginástica e estadias gratuitas em hotéis.

É recurso bastante utilizado na conquista de clientes cautelosos, especialmente em períodos marcados por crises econômicas.

Particularmente, aprendi sobre degustação em “casa”, no boteco de meus pais. Minha mãe era uma conceituada cozinheira em Portugal. Preparava com capricho a comida de uma família aristocrata.

Aqui no Brasil, como trabalhadora imigrante, atuava no pequeno negócio de meu pai. Seu forte era o bolinho de bacalhau, que seduzia o paladar dos clientes.

Certa vez, porém, ela resolveu variar: comprou mariscos no mercado do Ipiranga, ferveu-os, botou molho e serviu na casquinha. Ficou delicioso.

Acontece que o brasileiro não tinha o hábito de “chupar” mexilhão, ainda mais na periferia. Foi um fracasso de vendas.

Então, meu pai, que nunca tinha estudado marketing na escola, resolveu promover o produto por meio da degustação. Era uma atividade educativa.

Ele pegava um pires e colocava um punhadinho, ao lado da cerveja do sujeito que batia papo diante do balcão. A primeira reação era: “ah, meu amigo, agradeço, mas eu nem sei comer isso aí”.

Seu José Julio, então, mostrava com paciência e didatismo como aproveitar aquela desconhecida iguaria. O sujeito logo aprendia, comia, ficava encantado e pedia uma porção, outra e mais outra.

No boteco da Rua Silva Bueno com a Comandante Taylor, virou uma tradição. A cada sábado, vendíamos até 60 quilos como aperitivo de cervejas e bebidas.

Moral da história: uma ação inovadora de mercado pode começar como um insucesso porque os potenciais clientes não conhecem as virtudes do produto e não sabem como consumi-lo. Esse roteiro, todavia, pode ser alterado.

Meu pai soube superar esse obstáculo por meio da pedagogia da degustação. Portanto, se você tem algo excepcional que está encalhado, tenha a ousadia de oferecer uma amostra gratuita.

Mas não basta presentear. É preciso constituir experiência, mostrar relevância, destacar qualidade e educar para o consumo.

Tente! Porque, ao gerar valor e pertinência, você sempre cria clientela e constitui um mercado.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 11/07/17