O que a rejeição pode ensinar a você?



Não aceitaram seu projeto? Não lhe deram aquela vaga na empresa? Rejeitaram aquele seu pedido para uma transferência? Recusaram seu produto? Não deram atenção a sua ideia?

Nesta hora, calma. Vamos conversar a respeito?

No ano passado, em entrevista à revista People, a ex-top model Gisele Bündchen revelou que o início de sua carreira não foi nada fácil.

“Diziam que meu nariz era muito grande ou que meus olhos eram muito pequenos, que eu nunca poderia aparecer na capa de uma revista”, relatou.

Antes de conseguir participar do desfile de Alexander McQueen, foi rejeitada 42 vezes. Depois de anos de esforço, Gisele evoluiu rapidamente na carreira. Passou a figurar em capas de revistas, assinou ótimos contratos e amealhou uma grande fortuna.

O mundo adora dizer não, por medo, desconfiança, desconhecimento, desprezo ou mesmo preguiça. Por isso, os institutos de pesquisa aplicam cada vez mais em determinar as razões pelas quais um político é rejeitado.

Mas tem jeito? A empreendedora norte-americana Danae Ringelmann foi rejeitada 90 vezes antes de conseguir obter seu primeiro apoiador.

Mas a persistência surtiu efeito. Assim, finalmente conseguiu algum dinheiro para co-fundar, em 2008, o Indiegogo, uma plataforma de crowdfunding que justamente auxilia empreendedores a obter investimentos.

Até o fim do ano passado, a empresa já havia levantado mais de um bilhão de dólares para projetos e novos empreendimentos.

Muita gente famosa e bem-sucedida passou pela mesma experiência desoladora. Einstein foi tido por seus professores como um aluno comum, sem notáveis talentos. De repente, estava desvendando os mistérios do universo.

O genial inventor Nikola Tesla penou antes de obter apoio para seus projetos. Depois de aceitos, no entanto, formaram as bases para os modernos sistemas de potência elétrica em corrente alternada.

Seu ex-chefe e depois adversário, Thomas Edison, também recebeu inúmeras negativas antes de obter recursos para desenvolver suas pesquisas e inventar, por exemplo, a lâmpada elétrica.

Henry Ford colecionou fracassos antes de produzir carros em larga escala. J. K. Rowling, autora da série Harry Potter teve o manuscrito de seu primeiro livro recusado por várias editoras até que a Bloomsbury lhe desse uma chance, em 1996.

A lista de rejeitados famosos é imensa. Muitas pessoas incríveis, talentosas, capazes e criativas não se tornaram celebridades porque simplesmente não tentaram o bastante.

O escritor, blogueiro e empresário Jia Jiang, nascido na China e radicado nos EUA, quis se aprofundar no estudo da rejeição. CEO da Wuju Learning, é dono do site Rejection Therapy e autor do livro Rejection Proof: How I Beat Fear and Became Invincible Through 100 Days of Rejection.

Durante 100 dias, ele teve a experiência de provar os mais diversos tipos de rejeição. Ouviu não, por exemplo, de um estranho a quem pediu US$ 100 e também de um funcionário de fast-food de quem solicitou um “refil de hambúrguer”.

Mas o que ele, afinal, aprendeu nesta aventura? Primeiramente que insistir pode levar à aceitação. Nem sempre com a mesma pessoa. Mas há sempre alguém disposto a ouvir nossas ideias e a lhes dar algum crédito.

Por exemplo, ele foi até a Krispy Kreme e pediu algo totalmente fora do padrão: donuts que formassem o símbolo das Olimpíadas.

Surpreendentemente, a atendente da loja levou a solicitação a sério. Pegou um pedaço de papel, desenhou um modelo e, quinze minutos depois, apareceu com uma caixa de doces que pareciam mesmo os aros olímpicos.

Jiang descobriu que, diante da rejeição, não deveria fugir assustado ou correr para chorar na cama. Quando recebia um “não”, ele podia, por exemplo, perguntar o porquê.

Um dia, bateu à casa de um estranho com uma flor na mão e perguntou se poderia plantá-la em seu jardim. Ouviu uma resposta negativa e pediu uma justificativa.

A pessoa afirmou que o problema era ter um cão que desenterrava tudo e sugeriu que ele atravessasse a rua para falar com uma certa Connie, que adorava jardinagem.

Minutos depois, Jiang estava conversando animadamente com a mulher e logo se puseram a plantar a tal flor no quintal.

Aos poucos, o jovem percebeu que a rejeição tem muito a ver com o modo como nos comunicamos. Como podemos esperar um resultado diferente se usamos sempre os mesmos argumentos, as mesmas palavras e a mesma postura?

Segundo ele, Martin Luther King, Jr., Mahatma Gandhi, Nelson Mandela e até mesmo Jesus Cristo foram mestres nessa reinvenção da tentativa e não permitiram que a rejeição os definisse.

 

Seguem sete dicas para que você enfrente e supere a rejeição:

– Insista sempre, mas não seja chato ou invasivo. Se não deu com João, procure José. Há muita gente no mundo, felizmente.

– Não fique envergonhado ao receber um “não”, pois gente boa e graúda ouviu a mesma coisa.

– Pergunte o motivo do não. Pode ajudá-lo na próxima tentativa.

– Se não está funcionando, mude seu produto, serviço ou proposta. Talvez você esteja oferecendo algo de que as pessoas não precisam ou naturalmente não gostam. Faça algo mais útil, bonito e atraente.

– Apure o discurso, ou seja, fale na linguagem das pessoas, e não na sua.

– Espere a hora certa de abordar. Não aborde o Doutor Lima exatamente na hora em que ele se prepara para fazer um parto.

– Ao pedir e solicitar, pense sempre em que benefício você pode gerar para o outro. É nisso que você deve focar e esse é um dos segredos dos grandes vendedores.

 

Trabalhando muitos anos como vendedor, descobri que o sucesso depende de encontrar uma convergência entre o seu interesse e aquele do seu interlocutor.

Foi assim que consegui vender muitos carros em São Paulo e muitos refrigeradores na África.

Agora, é sair, ouvir mais um não, e mais outro e mais outro. Aprenda com cada um deles. Uma hora, o acerto vem.

Afinal, a teoria, na prática, funciona.

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 11/04/17