O que o desfile de Carnaval pode ensinar à gestão corporativa?



Já sabemos das similaridades sobre a relação entre a gestão de escolas de samba e a gestão de empresas, no campo da criação, da inovação, da animação e da motivação.

Há dois quesitos complexos, no entanto, que raramente são lembrados quando se produz uma reflexão sobre o tema: evolução e harmonia.

Vamos, primeiramente, oferecer uma ideia do que é cada um deles:

Ao julgar a “evolução”, o jurado deve verificar se os componentes estão evoluindo de acordo com o ritmo do samba e a cadência da bateria.

Ele precisa ver se o movimento coreográfico é natural, espontâneo, leve e gracioso. Seus olhos devem estar atentos para o deslocamento coletivo das alas. Deve determinar se há compactação, fluência e coesão.

No caso do quesito “harmonia”, a proposta é verificar o entrosamento entre ritmo e canto. Os integrantes da escola precisam cantar o samba enredo, o tempo todo, em consonância uns com os outros e com o puxador (intérprete).

Ora, essas regras de ouro servem perfeitamente à gestão corporativa. Há empresas criativas, inovadoras, capitalizadas, mas que não prosperam porque pecam em evolução e harmonia.

Esse descompasso verifica-se, por exemplo, no fluxo de trabalho. Há compradores, por exemplo, que não atuam em parceria com a logística.

Nesse caso, a mercadoria chega e não encontra lugar no estoque. É assim que algumas cadeias de supermercados, volta e meia, apresentam filas de caminhões diante de seus depósitos. É aquele Deus nos acuda para acomodar os produtos adquiridos.

Por vezes, ocorre o contrário. O pessoal do ponto de distribuição não informa sobre o volume de vendas de um determinado produto. Se a compra corporativa não é efetuada de acordo com a demanda, a empresa ganha um “claro”, uma lacuna, o que compromete sua lucratividade e reputação.

Você já viu tudo isso ocorrer. Se a sua empresa embola as “alas”, vai ter problemas. Se deixa espaços injustificados entre elas, também vai reduzir sua eficiência.

Muitas empresas também encontram problemas de coesão na hora de respeitar valores e perseguir metas. O gestor-puxador diz uma coisa, mas não é seguido pelos colaboradores.

Por vezes, a mensagem é passada, mas demora até ser compreendida e entendida pelo grupo de trabalho. Falta coesão e sincronicidade.

Quando o “samba atravessa”, o pessoal da comissão de frente está cantando uma parte da composição enquanto a ala das baianas recita outro verso.

Vemos isso cotidianamente nas empresas. Um departamento empolgado, atuando de acordo com o discurso da inovação, enquanto outro ainda recita velhas regras operativas.

Numa empresa, o gestor-puxador precisa cantar alto, claramente e ter certeza de que está sendo ouvido e acompanhado por toda a organização.

Portanto, fica a espetacular lição do mundo das escolas de samba. Mantenha seus colaboradores em atividade permanente, cooperando uns com os outros, num fluxo organizado, num movimento seguro, sempre para frente.

Alinhe seus valores, unifique suas metas e trabalhe para que suas equipes cantem sempre a mesma música.

Abençoados somos nós, brasileiros, que temos exemplos tão claros e efetivos de como gerir para o sucesso.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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quarta-feira, 22/02/12