O que nos ensina o Atlético Nacional?



Nesta segunda-feira, o mundo parou para acompanhar a entrega do The Best FIFA Football Awards, em Zurique, na Suíça.

No Oscar da bola, o prêmio de melhor jogador foi concedido ao astro lusitano Cristiano Ronaldo, do poderoso Real Madrid, da Espanha.

No entanto, outra premiação ganhou milhões de comentários nas redes sociais, a de fair-play.

O troféu passou das mãos do ex-jogador espanhol Carles Puyol às do colombiano Juan Carlos de La Cuesta, presidente do Atlético Nacional, da Colômbia.

Por quê? Depois do acidente com o avião que transportava a equipe da Chapecoense, em 28 de Novembro, nas proximidades de Medellín, o Atlético Nacional realizou grande homenagem aos adversários e ainda recomendou que a Conmebol entregasse o título da Copa Sul-Americana à equipe catarinense.

Dessa forma, a agremiação colombiana mostrou que o futebol é apenas um espetáculo efêmero no teatro das relações humanas. Abrindo mão do título, a equipe deu mostras de grandeza, desapego e generosidade.

Convém lembrar que o Atlético Nacional é uma S.A. Em 1996, o clube foi adquirido pela Organización Ardila Lülle, do empresário Carlos Ardila Lülle, que fortaleceu o clube economicamente e profissionalizou sua gestão.

Mas como uma empresa pode praticar o “fair-play” em suas atividades rotineiras? Ora, evitando levar vantagem em tudo, ou seja, repudiando a famigerada Lei de Gérson.

Afinal, ainda há companhias que demitem colaboradores prestes a se submeterem a uma cirurgia delicada. Outras testam ingredientes mais baratos sem comunicar a mudança aos consumidores. Existem aquelas que dão um jeitinho de sonegar impostos. E algumas espalham calúnias para sujar a imagem dos concorrentes.

Não é legal. E, em um mundo multiconectado, frequentemente essas “pisadas na bola” acabam descobertas. As denúncias na Internet alcançam milhões de pessoas e a reputação corporativa acaba indelevelmente arranhada.

Fair-play, coisa que está associada à filosofia do compliance, exige conduta ética, transparente e focada na geração de benefícios extensivos a toda cadeia produtiva e à coletividade. Fair-play exige desprendimento e humildade.

Em 2010, por exemplo, o CEO da Domino’s Pizza, Patrick Doyle, fez anúncios de televisão para assumir erros e comunicar uma mudança.

A ação da Domino’s visava a admitir que seu produto estava longe de ser uma maravilha. Nas peças publicitárias, a empresa mostrou citações de clientes insatisfeitos. Um dizia que a massa da pizza parecia papelão. Outro afirmava que o similar de micro-ondas tinha qualidade superior.

Ao mesmo tempo, a companhia reconfigurou seu produto, testando combinações de dúzias de queijos, quinze tipos de molho e quase cinquenta temperos.

Em resumo, a empresa considerou que suas pizzas eram ruins, as redesenhou e pediu às pessoas para experimentar as novas receitas.

Resultado: os consumidores gostaram da atitude, aprovaram os novos produtos, as vendas aumentaram e os lucros trimestrais duplicaram.

Enfim, para entregar um título continental ao adversário e para admitir as falhas de um produto é preciso ter coragem, caráter e também visão de futuro.

Empresas assim ganham musculatura moral, imagem polida e fiéis admiradores. É muito mais do que marketing. É muito mais do que branding. É simplesmente crescer fazendo a coisa certa.

Arrisque-se nesta virtuosa aventura.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 10/01/17