O que Harvard revela sobre a felicidade?



Pronto: novo ano. Portanto, convém filosofar um pouco, inventariar a vida, corrigir rotas e redefinir metas. Afinal, o que vale a pena? Como podemos ser mais produtivos, saudáveis e felizes?

Harvard vem colocando ciência neste debate há muito tempo, por meio de seu prestigiado Estudo de Desenvolvimento Adulto.

Há 76 anos, os pesquisadores começaram a acompanhar um grupo de 268 alunos da universidade. Ao mesmo tempo, dedicaram-se a avaliar 456 jovens não delinquentes de famílias humildes de Boston.

Esses homens estão sendo avaliados até hoje. Respondem a questionários, contam suas histórias, fornecem depoimentos aos acadêmicos e permitem que seus cérebros sejam escaneados.

Estudos dessa natureza costumam fracassar. Os avaliados se cansam do projeto, falta dinheiro na instituição ou os cientistas perdem o foco. Mas não em Harvard, onde o trabalho segue firme, já na quarta geração de pesquisadores.

Há pouco mais de um ano, 60 dos 724 avaliados ainda estavam vivos e participavam do estudo, a maior parte na casa dos 90 anos. Entre os já falecidos, um tinha se tornado presidente dos Estados Unidos: John F. Kennedy.

Enfim, a que conclusão chegaram os especialistas? Os mais felizes e saudáveis foram aqueles que simplesmente conseguiram estabelecer bons relacionamentos.

Esses, na média, obtiveram muito mais sucesso financeiro do que aqueles tímidos demais, encrenqueiros, ferozmente competitivos, demasiadamente orgulhosos ou que se isolaram das pessoas.

Robert Waldinger, da Harvard Medical School, atual chefe do projeto, lista três conclusões obtidas da meticulosa análise dos dados.

1) Conexões sociais são muito benéficas para todos nós.

2) As pessoas que estão mais conectadas socialmente com a família, amigos e comunidade são mais felizes, mais saudáveis e vivem mais do que aquelas que têm poucas conexões.

3) A experiência da solidão é tóxica. Pessoas isoladas têm saúde mais frágil já na meia idade. Seus cérebros se deterioram mais cedo. Vivem menos do que aqueles conectados socialmente.

Com base no estudo, Waldinger afirma que não basta ter muitos familiares e amigos. Conta também a qualidade desses relacionamentos. Segundo ele, um casamento conflituoso, sem afeto, pode ser muito danoso à saúde. Melhor se divorciar do que ficar nele.

Para o cientista, relacionamentos íntimos e estáveis protegem o corpo e a mente. Os bem casados ou acompanhados mantiveram a memória por muito mais tempo.

Outro dado interessante: os aposentados mais felizes e realizados foram os que conseguiram substituir colegas de trabalho por companheiros, ou seja, amigos dissociados da busca por fama e dinheiro.

Ora, mas como construir relações sólidas, capazes de garantir o bem-estar? Para os cientistas, precisamos de empenho, dedicação e boa vontade.

Brigas, disputas e conflitos ocorrerão, inevitavelmente, mas é necessário ter jogo de cintura e humildade para superar as divergências. Sofrem mais aqueles que guardam rancor e os teimosos que cultivam ressentimentos.

Waldinger sugere convergências, negociações e reaproximações. É o caso de se voltar a falar com aquele primo, antes tão amigo, com o qual rompemos ao final de uma festa em 1985.

É preciso reatar o contato com o cunhado bacana com o qual brigamos por conta de política, na eleição passada.

O pesquisador de Harvard costuma lembrar-se do escritor Mark Twain, cuja mensagem sobre o tema ainda não perdeu a validade.

– A vida é tão curta que não há tempo para discussões banais, tirar satisfações, desculpas e amarguras. Só há tempo para amar e, mesmo para isso, é só um instante.

2017 está apenas começando. Pode ser a sua hora de refazer relações, de largar preconceitos, de reconstruir laços de amor e amizade.

Tente. É para que você seja mais saudável, próspero, realizado e feliz.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 03/01/17