O mundo está ficando pior ou melhor?



Antes de investir, empreender ou mesmo efetuar uma compra importante, costumamos formular a pergunta clássica: será que é um bom momento para dar esse passo?

É natural. Queremos saber se os ventos sopram a favor, se a maré é favorável, se vale mesmo a pena o esforço.

Os mercados são, na verdade, formados por consciências humanas. Se elas se retraem, se ficam temerosas, é natural que a economia tropece e perca a vitalidade.

Neste primeiro mês do ano, muita gente entrou na onda de pessimismo depois que o chamado Boletim dos Cientistas Atômicos moveu adiante o ponteiro do relógio Doomsday, que supostamente mostra quão próximos estamos de uma hecatombe global.

Os doutores avançaram a marca, de três minutos para dois minutos e meio antes da meia noite. Segundo os pesquisadores, quanto mais perto dela, mais próximo está o fim do mundo.

Os motivos principais: as declarações do novo presidente norte-americano, Donald Trump, que sugerem uma possível ampliação do arsenal nuclear dos Estados Unidos e revelam sua descrença nas teses dos cientistas sobre o aquecimento global.

Convém lembrar que, há pouco mais de dois meses, em um artigo na revista Science, pesquisadores norte-americanos afirmaram que 82% dos processos ecológicos fundamentais, o que inclui a diversidade genética e os modelos migratórios, já sofreram alterações devido ao aquecimento do planeta.

Há quem pense de forma diferente, no entanto. É o caso do norte-americano Nicholas Kristof, graduado por Harvard e Oxford, conceituado analista de assuntos globais, colunista do The New York Times há 16 anos, duas vezes ganhador do Prêmio Pulitzer.

Para ele, o criticado 2016 foi o ano que mais trouxe benefícios à humanidade, e 2017 será ainda melhor.

Kristof também está preocupado com a gestão Trump e assustado com o prosseguimento da guerra na Síria, mas considera que pessoas anônimas estão, todos os dias, aperfeiçoando nosso mundo.

De acordo com suas pesquisas, utilizando dados do Banco Mundial, a cada dia, cai em 250 mil o número de pessoas vivendo na extrema pobreza, ou seja, com renda inferior a US$ 1,90 por dia.

Em 1980, cerca de 40% dos humanos estavam sujeitos a essa situação de escassez e sofrimento. Hoje, são menos de 10%.

Há mais o que se comemorar: desde 1990, a vida de mais de 100 milhões de crianças foi salva por meio de vacinações, incentivos à amamentação e cura de enfermidades antes mortais, como a diarreia. Hoje, a chance de um pai perder o filho é 50% menor do que há 27 anos.

Aqui mesmo no Brasil, a incompetência, a ineficiência e a corrupção não foram capazes de deter o avanço social. Em 2000, a taxa de mortalidade infantil (por mil nascidos vivos) era de 29,02; em 2015, de 13,82.

O colunista do NYT, que viaja por todo o mundo, lembra que 40 países estão hoje a caminho de eliminar a elefantíase e que muitos outros estão vencendo a luta contra a lepra, a poliomielite e o tracoma.

Outro dado importante: até a década de 1960, a maioria dos humanos era analfabeta. Hoje, 85% dos adultos são alfabetizados.

Na visão de Kristof, com ou sem os políticos, as coisas estão simplesmente melhorando. Hoje, somente hoje, 300 mil seres humanos passaram a contar com eletricidade e 18 mil crianças, que teriam morrido há pouco mais de duas décadas, mantiveram-se vivas.

Então, você está pensando em empreender, em investir, em fazer acontecer? Reflita sobre esses dados. Há sempre como fazer crescer a boa onda da prosperidade. Participe!

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 31/01/17

  • Silvio

    Boa tarde, Professor, que bom, nem tudo está perdido. Parabéns pela bela injeção de ânimo, porque esta difícil viver, ufaaaaa!!!!!