Já pensou numa gestão inovadora para reverter a economia da irresponsabilidade?



edição 58 – publicado em 23 de agosto de 2011.

Criada em 1917, a Forbes é um dos ícones do capitalismo mundial. São famosas as suas listas de bilionários, de super escolas e de melhores companhias. Basicamente, trata de ricos e de riquezas.

Há uma semana, no entanto, a publicação deu voz e letra ao conceituado escritor e consultor norte-americano Joel Kotkin, que num artigo de 1206 palavras, denominado The U.K. Riots And The Coming Global Class War, analisa os protestos massivos de jovens pelo mundo, especialmente na Inglaterra.

Segundo ele, a principal razão desses levantes é socioeconômica. E tudo se deve a um grave descompasso na produção de valores pelo sistema capitalista.

Ele informa, por exemplo, que um milhão de jovens britânicos sofrem com o desemprego. Mostra que dois de cada cinco norte-americanos entre 18 e 19 anos estão desempregados ou fora do mercado de trabalho. Revela ainda que entre os norte-americanos brancos sem diploma universitário, 43% avaliam que a vida está piorando.

Kotkin afirma que o crescente abismo entre classes tem suas raízes na globalização, que roubou emprego dos colarinhos azuis e, agora, rouba também dos colarinhos brancos.

Como? Por conta da sofisticação das tecnologias de comunicação, as empresas mais ricas transferiram suas operações para a periferia do mundo capitalista.

Companhias europeias e norte-americanas utilizam unidades industriais em países como Guatemala, Filipinas e Indonésia. Ali, pagam menos aos trabalhadores para aumentar a margem de lucro. Ao mesmo tempo, promovem um rápido processo de desindustrialização no mundo considerado desenvolvido.

Segundo o pensador, os jovens britânicos, por exemplo, tinham largos horizontes quando a Grã-Bretanha era um grande complexo de fábricas, produzindo lastros para a economia.

Depois disso, muitos foram trabalhar no setor público, abastecido de recursos pela dinâmica máquina financeira. O setor industrial encolheu e a crise global endividou o Estado e reduziu sua capacidade de investimento.

Para Kotkin, muitos jovens britânicos, hoje, não enxergam grandes possibilidades de obter sucesso. Os empregos convencionais estão escassos. Resta o mundo do entretenimento, o esporte e o crime.

Isso quer dizer que pouca gente ainda acredita que trabalhar duro basta para colher resultados. Houve, portanto, uma desmoralização do conceito clássico de “trabalho e recompensa”.

Kotkin avisa que muitos conservadores ainda acreditam que riqueza e pobreza apenas refletem níveis de virtude. Para ele, é um erro. A sociedade moderna não pode funcionar de acordo com o credo individualista, doutrina que alimenta grupos como o Tea Party norte-americano.

Para ele, um sistema econômico somente merece confiança se entregar resultados para a grande maioria dos cidadãos. Sem essa dinâmica geradora de oportunidades, nenhum modelo é sustentável.

Tratei a fundo deste assunto em meu livro A Economia do Cedro.  Ali, exponho em detalhes o funcionamento daquela que chamo de “economia da irresponsabilidade”. Ela pulveriza empregos, multiplica dinheiro imaginário e conspira contra os negócios lastreados, alma do capitalismo.

Se você também produz e comercializa, cabe-lhe desenvolver uma estratégia que ajude o Brasil a seguir outro script e constituir uma economia responsável e lastreada. Antes de correr atrás do lucro (do qual todos nós gostamos muito), reflita sobre um modelo de gestão inovadora para sua atividade produtiva.

Pense sempre em negócios realmente sustentáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental. Se fizer direitinho a lição, vem a recompensa.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 23/08/11