Gestão Global e Sustentabilidade: 7 bilhões de habitantes na Terra.



edição 68 – publicado em 01 de novembro de 2011.
 

A escolha é simbólica, pois seria tecnicamente impossível determinar a ordem dos nascimentos no planeta.

Assim, muitos casais reivindicaram o mérito de dar ao mundo o “bebê 7 bilhões”.

As Nações Unidas acabaram por felicitar os pais de Danica May Camacho, nascida no domingo, dois minutos antes da meia-noite, no José Fabella Memorial Hospital, nas Filipinas.

A família recebeu com festa a menina, que aparentemente tem boa saúde.

No entanto, fica a pergunta: que futuro está reservado para Danica?

Ela verá um mundo melhor? Sofrerá menos com as desigualdades sociais? Respirará um ar mais puro? Terá um bom emprego? Será capaz de formar sua própria família num ambiente saudável? Será feliz?

Sou otimista em relação à humanidade. Já enfrentamos problemas muito graves, como secas, inundações e pestes. E sempre demos um jeito de sobreviver.

Hoje, no entanto, encaramos um problema de gestão global e sistêmica. Já consumimos num ritmo maior que a capacidade do planeta em renovar os seus recursos naturais.

A cada segundo, duas novas bocas vêm ao mundo, que parece incapaz de fazer crescer, nessa proporção, a produção de alimentos.

No momento em que nossa família humana atinge 7 bilhões de membros, há um sinal amarelo piscando: a conta não fecha.

A “pegada ecológica” é a medida da demanda humana por recursos naturais, contrastada com a capacidade do planeta em se regenerar.

Os modelos mais sofisticados mostram a extensão de terra e mar necessária para suprir o consumo de cada pessoa e receber os resíduos dele provenientes.

De acordo com os índices do Global Footprint Network, cada indivíduo utiliza, em média, 2,7 gha (hectares globais), mas o planeta oferece uma capacidade limitada de 1,8 gha.

Temos já um pesado déficit global de 0,9 hectares globais por pessoa. Estamos, portanto, excedendo a capacidade regenerativa do planeta.

As diferenças por região merecem atenção. A pegada ecológica da produção no Brasil é de 3,46 gha, mas nossa biocapacidade é de 8,98 gha por pessoa.

No caso dos Estados Unidos, o desequilíbrio é gritante. A pegada ecológica é de 7,99 gha, enquanto a biocapacidade é de apenas 3,87 gha por pessoa.

No final da primeira década do século, o norte-americano James Leape, diretor geral do World Wildlife Fund (WWF) sentenciou:

- Por mais de 20 anos temos excedido a habilidade da Terra de suportar um estilo de vida consumista que é insustentável e não podemos continuar neste caminho. Se todas as pessoas mundo vivessem agora como aquelas nos Estados Unidos, precisaríamos de cinco planetas para nos sustentar.

A população mundial vai continuar crescendo e deve alcançar 9,3 bilhões por volta de 2050.

Muitos outros, além da menina Danica, precisarão de comida, água, saneamento básico, educação e emprego.

Numa coincidência que gera apreensão, chegamos a 7 bilhões no mesmo dia em que a Zona do Euro divulgou um recorde de desemprego, com 16,1 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Na Espanha, a taxa já é de 22,6% da população economicamente ativa.

Vale, novamente, portanto, repetir a conclusão: a conta não fecha.

Se continuarmos a produzir e consumir de acordo com os padrões atuais, teremos um futuro trágico pela frente, com fome, guerras, ambiente saturado, doenças e infelicidade.

Mas se começarmos agora a mudar procedimentos e condutas, temos uma chance.

Precisamos refinar tecnologias e produzir mais em menos espaço. Precisamos de cidades e habitações muito mais inteligentes, que gerem conforto e gastem menos energia. Precisamos produzir muito menos lixo e saber reciclá-lo. Precisamos ser muito mais cooperativos e aprender a compartilhar, trocando a posse pelo acesso.

Resumindo: só o amor e a responsabilidade poderão fazer fechar esta conta.

Quer legar um mundo habitável para seus filhos e netos? Comece agora. Cada gesto conta.

Para saber mais sobre sustentabilidade conheça a Economia do Cedro

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 01/11/11