Como renascer das cinzas?



Nesta segunda-feira, no Camp Nou, o mundo assistiu ao jogo que valeu o troféu Joan Gamper, entre o Barcelona e a Chapecoense.

Ao final, vitória catalã por 5 a 0, com ótimas atuações de Messi e Suárez. O resultado, no entanto, é o que menos vale neste capítulo da história do esporte.

Em novembro do ano passado, um acidente aéreo na Colômbia matou a maior parte dos jogadores e principais dirigentes da equipe catarinense. Portanto, o desafio da turma de Chapecó tem sido renascer das cinzas.

Foi preciso contratar atletas, compor uma comissão técnica e reconstruir os processos de gestão responsáveis pelo sucesso da jovem agremiação.

Há sinais de que, mesmo diante de problemas gigantes, a Chape está reescrevendo sua história. Torcemos todos para que tenha êxito nesta empreitada.

Outras importantes organizações e profissionais tiveram que se refazer, depois de sofrerem com seus próprios erros ou golpes do destino. Compuseram capítulos importantes da história humana.

Normalmente, ao discorrer sobre o tema, as pessoas da área de negócios se lembram de Steve Jobs, que foi demitido da Apple e precisou se reinventar até recuperar o controle da empresa.

Há, no entanto, inúmeros outros casos de fracassos que serviram de base para a reciclagem de empresas e pessoas.

Walt Disney, por exemplo, faliu em 1923, com o Laugh-O-Gram Studio, em Kansas City, no Missouri.

Ali, porém, ganhou uma valiosa inspiração. O artista estabeleceu amizade com um camundongo que costumava visitar sua escrivaninha à procura de restos de comida. Em 1928, a lembrança do pequeno animal conduziu à criação de Mickey Mouse, personagem base do futuro império Disney.

E o John Travolta? Fez muito sucesso na década de 1970, especialmente com os filmes Os Embalos de Sábado à Noite e Grease. Nos anos 80, deram-no por acabado. Em 1994, no entanto, ele restabeleceu sua reputação ao atuar em Pulp Fiction e retomou a carreira de sucesso.

Países também vivem situações semelhantes. A Alemanha e o Japão foram devastados na II Guerra Mundial, mas em poucas décadas se tornaram potências econômicas. Souberam identificar oportunidades, utilizar de forma racional os recursos disponíveis e, sobretudo, mobilizar corações e mentes para a volta por cima.

Empresas de grande porte enfrentam situações análogas. Foi o caso da General Motors, que completou seu centésimo ano, em 2008, metida em apuros, vítima da crise mundial detonada pelo caso dos subprimes, nos Estados Unidos.

Não se reergueu somente com suporte governamental, como dizem por aí. Realizou também uma radical reestruturação, modernizando processos, racionalizando custos e definindo estratégias para ampliar suas receitas.

A gigante do setor aéreo American Airlines também desceu ao fundo do poço, em 2011. Precisou de amparo judicial para se reorganizar, honrar suas dívidas e voltar a gerar lucros.

Em tempos de revolução tecnológica, a Kodak é outra tradicional companhia que vivenciou grave crise. Para se manter viva, precisou rever sua missão, definir novos produtos e conquistar uma nova clientela.

A receita para o renascimento se inicia sempre com o reconhecimento dos equívocos cometidos. O que deu errado? O produto já não é relevante? A operação é lenta, cara ou incapaz de gerar qualidade? Os gestores estão antenados no processo da mudança?

O segundo passo é reestruturar, com ponderação e sabedoria. Pode ser que a solução seja simplesmente usar melhor os recursos disponíveis, sejam eles humanos, materiais ou financeiros.

Muitas empresas sofrem porque não sabem empregar adequadamente o capital de conhecimento acumulado, desprezando suas próprias virtudes e diferenciais.

Não levam em consideração as ameaças presentes no mercado, demoram a se reinventar e se tornam obsoletas.

Muitas tentam resolver o problema do desequilíbrio somente cortando custos. Assim, perdem talentos, paralisam processos, desfazem-se de ativos importantes e, de repente, acabam tão enfraquecidas que já não conseguem retomar o caminho do sucesso.

Os piores malogros servem como ótimos professores. Mas é preciso ter humildade para admitir cada equívoco, energia para efetuar as correções e coragem para inovar.

Porque nenhuma empresa renasce exatamente do jeito que era. O mesmo se aplica aos profissionais. Quem renasce é para ser melhor.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 08/08/17