Como reduzir nossa ignorância acerca do mundo?



Há duas semanas, nossa newsletter procurou mostrar a importância de nossas percepções e crenças na constituição de negócios.

Lembramos que os mercados são, a rigor, formados por consciências humanas. Quando elas se deixam dominar pelo medo, é bem provável que a economia tropece e perca a vitalidade.

Na ocasião, citamos os estudos de Nicholas Kristof, analista de assuntos globais, para atestar que a humanidade tem evoluído, apesar da corrupção persistente, das mudanças climáticas e do terrorismo fundamentalista.

Compartilho dessa convicção. No início desta década, lancei o livro A Economia do Cedro, no qual produzi um elenco dos problemas da “nave Terra” e das soluções possíveis.

Não embarquei no otimismo ingênuo, mas concluí que a multiplicação e o compartilhamento do conhecimento podem nos garantir um futuro comum de paz e prosperidade.

Conforme as pesquisas de Kristof, neste mundo que parece à beira do apocalipse, há menos gente vivendo na pobreza extrema, o analfabetismo adulto está desaparecendo, as doenças já não ceifam tantas vidas e a expectativa de vida aumenta rapidamente.

Professor na área de saúde global no Instituto Karolinska, da Suécia, Hans Rosling costuma aplicar um questionário no qual avalia o conhecimento das pessoas acerca do mundo atual.

Por meio dessas consultas, ele revela que as pessoas tendem a ter opiniões exageradamente negativas e distantes da realidade dos fatos.

Uma indagação interessante foi: como variou, no século passado, o número de pessoas mortas por desastres naturais?

Na Suécia, metade dos entrevistados afirmou que duplicou. Para 38%, foi mais ou menos o mesmo. Apenas 12% escolheram a resposta certa: caiu à metade.

Nos últimos 20 anos, a porcentagem de pessoas vivendo na extrema pobreza caiu também à metade. Mas somente 5% dos norte-americanos sabem disso. Para 66%, o número de miseráveis dobrou.

O filho de Hans, Ola Rosling, diretor da Gapminder Foundation e ex-gerente de produtos do Google Public Data, tem explicações para o fenômeno.

Segundo ele, o principal problema é que pensamos o mundo a partir de nossas experiências locais. “E essa amostra nunca é representativa”, afirma. Constituímos um viés pessoal para julgar o que não conhecemos.

O outro motivo, segundo o especialista, é que as escolas ensinam a partir de visões e dados ultrapassados, que já não retratam a realidade. O material de ensino normalmente é desatualizado e não dá conta das rápidas transformações globais.

A terceira fonte de distorção é a mídia. De acordo com o estudioso, jornalistas tendem a buscar sempre o incomum, o ponto fora da curva e os fatos que geram admiração ou medo na audiência.

Assim, a imprensa prefere sempre mostrar o horror impactante, deixando de lado as histórias que mostram soluções, avanços e aprimoramentos.

Para o especialista, reduzir a ignorância exige que acreditemos que as coisas, no geral, estão melhorando neste planeta. Ele cita um bom exemplo. Ainda há muita desigualdade econômica, mas o meio da pirâmide está engordando, criando um losango.

Por fim, um país não precisa ser exatamente rico para gerar saúde e educação para sua população. Ao contrário, as nações que mais se desenvolveram economicamente nas últimas décadas foram justamente aqueles que mais investiram em saúde e educação.

Repito o que escrevi há duas semanas. Você está pensando em empreender, em investir, em fazer acontecer? Reflita sobre esses dados. Abra um buraco na caixa e olhe o que tem do lado de fora.

É assim que você aprende, descobre oportunidades, inova e prospera.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 14/02/17