Como os negócios podem salvar nosso mundo?



Você já deve ter visto por aí. Dois jovens empreendedores, Samuel Toaldo e Eugen Braun, resolveram criar um aplicativo para que amantes do futebol contratem goleiros de ocasião.

A ideia foi apresentada na Campus Party e pouca gente considerou que pudesse resultar em algum lucro. No programa Shark Tank Brasil, do canal Sony, no entanto, a startup obteve um primeiro aporte de capital, no valor de R$ 250 mil.

Daí para frente, cresceu e iniciou um processo de consolidação. Hoje são mais de 300 goleiros cadastrados em todo o Brasil, que atuam em 550 jogos a cada mês. O mais interessante, no entanto, é que hoje auxilia uma escola de goleiros em Mali, na África, e se converteu em apoiadora da seleção feminina de futebol de salão para surdos.

A experiência nos leva a uma discussão mais profunda sobre o papel dos negócios na construção de um mundo melhor. Em anos recentes, difundiu-se em parte da sociedade uma visão negativa sobre a atividade empresarial.

Segundo esse modelo de pensamento, os empresários são gananciosos, destroem o meio ambiente e não estão nada interessados em promover avanços nos processos de promoção social.

Em seu livro Homo Deus, uma breve história do amanhã, o historiador e escritor Yuval Noah Harari diverge dessa avaliação. Segundo ele, à medida que o gênero humano se multiplica, é preciso que a economia cresça para que, ao menos, continuemos como estamos.

Ele toma a Índia como exemplo, onde o crescimento populacional tem sido de aproximadamente 1,2% ao ano. Se a economia do país não crescer anualmente ao menos 1,2%, o desemprego vai aumentar, os salários vão cair e a qualidade de vida será reduzida.

Mesmo que a Índia passasse a ter crescimento nulo de sua população, como resolveria o problema dos milhões de habitantes que vivem na miséria?

Se o bolo não cresce, só se atende ao interesse dos desfavorecidos retirando-se parte do patrimônio daqueles que ascenderam economicamente. Esse é, naturalmente, o caminho para o ressentimento e a violência.

A história mostra distorções na distribuição da riqueza humana. Segundo Harari, no entanto, o capitalismo ajudou na superação da fome, na extinção de conflitos e na eliminação das pestes em boa parte do mundo.

Mesmo com suas imperfeições, o sistema garantiu a possibilidade de um ganha-ganha, no qual o lucro assegura investimentos, o fortalecimento de negócios, a geração de empregos e a elevação do padrão de vida.

O professor Michael Porter, conhecido especialista em estratégia competitiva e dedicado incentivador de organizações não governamentais, reconhece que o mundo ainda enfrenta graves problemas coletivos, como a desnutrição, a falta de acesso à água, a atenção deficiente à saúde e o esgotamento dos recursos naturais.

Segundo ele, há uma tendência a se acreditar que as soluções dependem de filantropia, ONGs e governos. “Mas há um problema de escala”, costuma dizer. “Não estamos avançando com a rapidez necessária”. Afinal, não existem receitas tributárias ou doações generosas que possam resolver todos esses problemas.

Para Porter, toda riqueza é criada por negócios. São eles que geram receitas, aumentam a arrecadação de impostos, constituem recursos para o investimento, elevam a renda e melhoram a qualidade de vida.

Também para o professor, há uma tendência de se atribuir aos negócios a culpa pelos problemas sociais e ambientais. De acordo com ele, no entanto, essa é uma visão equivocada da realidade. “Aprendemos hoje que reduzir a poluição e as emissões está gerando lucro, pois torna a empresa mais produtiva, mais eficiente, capaz de aproveitar melhor seus recursos”.

Porter acredita que o capitalismo deve aprofundar a geração do que chama de valor compartilhado, algo que depende da criação de mecanismos que estabeleçam parcerias colaborativas entre as ONGs, os governos e as empresas.

Minhas ideias sobre o assunto estão reunidas no livro A Economia do Cedro e podem ajudá-lo, caro leitor, a refletir sobre estes desafios do tempo presente. Sei bem dos graves problemas enfrentados pelos passageiros da nave-mãe Terra, mas acredito verdadeiramente que, juntos, podemos superá-los.

Para isso, não é preciso reinventar a roda. A solução é reduzir a interferência do Estado, produzir, gerar lucro, ampliar mercados, empregar pessoas, difundir conhecimento e constituir o já citado valor compartilhado.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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terça-feira, 14/03/17