Como mudar o mundo aos 100 anos de idade?



Em minha newsletter da semana passada, tratei das profundas mudanças que estamos experimentando no mundo do trabalho. Brevemente, tratei de longevidade e previdência, um tema polêmico no Brasil de hoje.

Ora, se a expectativa de vida aumenta a cada ano, é natural que passemos a trabalhar por mais tempo. Não se trata de um castigo, mas de um prêmio. Afinal, queremos permanecer ativos, úteis e estimados pela sociedade.

É evidente que condições insalubres e insegurança podem encurtar a vida de quem exerce uma atividade profissional. E nisso precisamos ainda melhorar muito.

O trabalho, no entanto, não mata. Pelo contrário. Segundo estudos científicos de prestigiadas universidades, pode esticar a vida e preservar a saúde.

Recentemente, os britânicos reverenciaram o médico imunologista William Frankland, que completou 105 anos e ainda segue sua rotina laboral, atendendo a pacientes e publicando artigos científicos.

Mas será que ele levou a vida na flauta? Nada disso! Ainda jovem, ele se pôs a estudar Medicina com afinco. O que o atraía era o mistério da enfermidade. Queria ser algo como um detetive em favor da saúde. Formou-se em 1938.

Em 1941, ele se alistou no Royal Army Medical Corps e foi enviado a Cingapura, chegando lá sete dias antes do ataque a Pearl Harbor. No ano seguinte, foi feito prisioneiro e transferido a um campo de trabalhos forçados. Nessa rotina infernal, passaria três anos e meio.

De volta a seu país, reassumiu sua carreira de médico, atuando como assistente clínico de Alexander Fleming, ninguém menos do que o descobridor da penicilina.

Frankland continuou a trabalhar também em seus próprios projetos. Na década seguinte, estudando alergias, deixou-se picar muitas vezes por um inseto para avaliar os danos e a reação do organismo.

Depois, demonstrou que a administração de um componente proteico do pólen reduzia a gravidade dos sintomas em pacientes com febre do feno e asma.

Seu trabalho formou a base de conhecimento para estabelecer a contagem de pólen. Outros de seus estudos contribuíram decisivamente para compor a “teoria da higiene”, segundo a qual a redução da imunidade humana se deve à menor exposição a microorganismos e alérgenos.

Em 1979, Frankland foi atender um paciente VIP em Bagdá. Era o próprio governante Saddam Hussein, que acreditava sofrer de asma e alergias. Os exames laboratoriais, no entanto, não comprovaram o diagnóstico apresentado pelo ditador.

– Ele não tinha asma, mas um vício em cigarros, mais de 40 por dia – conta o médico. – Se você está causando seus próprios problemas, não vou perder mais tempo com você.

Mesmo com a advertência acintosa, o médico escapou ileso do sempre furioso líder iraquiano, que morreria somente em 2006, executado por decisão de um tribunal do país.

Frankland declarou recentemente a um repórter do Daily Mail: “eu só não sei o que as pessoas fazem quando se aposentam aos 65 anos”.

Em 1990, segundo a Organização das Nações Unidas (Department of Economic and Social Affairs), o mundo contava apenas 95 mil pessoas com mais de 100 anos. Em 2015, já tinha 451 mil. Em 2050, terá pelo menos 3,6 milhões.

Imagine, então, a quantidade de pessoas na casa dos 90, 80 ou 70 anos!

No Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Locomotiva a partir de dados do IBGE, estima-se que em 2017 o numero de pessoas com 70 anos ou mais chegue em 11.2 milhões, e, em 2050, 36.6 milhões.

Não é ficção científica. Está acontecendo, de verdade, e possivelmente você se tornará um desses privilegiados.

Então, o que fazer? Como curtir esse bônus de vida? Se vai sobrar tempo, de que modo você vai contribuir para mudar o mundo?

Pense nisso e comece a planejar a reinvenção.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
Compartilhe!

terça-feira, 09/05/17