Como fazer a gestão da economia mundial?



edição 56 – publicado em 09 de agosto de 2011.

Não há dúvida: a crise de 2008-2009 resultou de uma gestão negligente e irresponsável do dinheiro mundial.

A recidiva, que hoje assombra os bancos centrais, as bolsas e o cidadão comum, revela que pouco se aprendeu com o desastre dos subprimes e das ficções hipotecárias.

A moderna economia digitalizou o dinheiro, mas perdeu a noção de seu significado e utilidade.

Por isso, vale uma breve viagem no tempo para desfazer o transe hipnótico.

Em tempos remotos, o comércio dependia do escambo. As trocas não eram, portanto, mediadas por um referente abstrato.

Uma mercadoria tinha seu valor fixado pela quantidade de tempo e pela força de trabalho empenhada em sua produção.

Outro fator fundamental na precificação era o binômio qualidade-diferenciação, normalmente resultante do saber tecnológico.

O valor dos primeiros instrumentos agrícolas era determinado também pelo conhecimento do sistema de fabricação.

No início, não havia muita dificuldade em trocar uma vaca por três porcos. Ou três sacas de trigo por um barril de vinho.

Com o tempo, no entanto, a economia se tornou mais complexa e foi necessário instituir um elemento simbólico de troca. Surgiu, assim, a moeda.

Destaca-se aqui a capacidade de abstração aplicada dos gregos, que há 2.700 anos já cunhavam moedas metálicas padronizadas, primas das atuais.

No Século 14, as ricas famílias de Florença, Veneza e Gênova difundiram o modelo atual de banco, convertendo o próprio dinheiro em mercadoria.

Durante séculos, sociedades floresceram quando souberam aliar trabalho, comércio e adequada gestão do símbolo de troca, isto é, do dinheiro.

Outras decaíram quando foram incapazes de se equilibrar sobre esse tripé.

Mais do que meio de troca, o dinheiro tornou-se uma unidade contábil, ou seja, uma referência para determinar ou comparar o valor de outros bens.

Então, voltamos ao presente. E formulo aqui uma série incômoda de perguntas?

Por que a crise se nunca tivemos tanto conhecimento técnico e fabril?

Por que a crise se hoje podemos trabalhar melhor, sofisticando a atividade produtiva?

Por que a crise se nunca estivemos tão aptos a comercializar, local e globalmente?

Por que a crise se nunca estivemos tão conectados por redes de comunicação?

Por que a crise se não houve um grande desastre natural ou epidemia capaz de nos paralisar?

Por quê?!

Arrisco uma resposta, simples e contundente. Estamos em crise porque a gestão do dinheiro mundial tem sido imprópria e irresponsável.

Estudei o assunto com atenção durante a produção de meu livro A Economia do Cedro. Hoje, constato que a realidade valida minhas conclusões.

Dinheiro de verdade tem lastro em trabalho e benefícios coletivos, sejam eles expressos na oferta de mercadorias ou de serviços.

Dinheiro de verdade circula, sem parar, nas vias do comércio.

Nesse contexto de responsabilidade, portanto, o mercado financeiro deveria servir como malha difusora de investimentos na atividade produtiva.

Se a ideia é arrumar de vez a casa global, é preciso que os gestores públicos e privados do dinheiro recuperem urgentemente o conhecimento perdido acerca dos símbolos de troca.

Quer fazer alguma coisa no microcosmo? Invista seu dinheiro na produção. Comercialize. Gere lastro para seus valores. Invista também no seu conhecimento e dos seus funcionários, conheça as palestras disponíveis em meu site.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
Compartilhe!

terça-feira, 09/08/11