A grande revolução e a gestão dos negócios. Você conhece o DIY?

edição 66 – publicado em 18 de outubro de 2011.
Se você está conectado e bem informado, já sabe. O mundo vive uma pacífica revolução associada ao fazer, vender e consumir.
Há semanas, jovens ocupam Wall Street com símbolos da contracultura dos anos 60. Pedem ética nos processos de produção, sustentabilidade e o fim das fraudes na ciranda financeira global.
Detalhe: não são comunistas ou admiradores de Karl Marx, mas pessoas que percebem a exigência de um novo modelo de responsabilidade na gestão dos negócios, teoria que advogo em meu livro A Economia do Cedro.
Neste momento riquíssimo da história humana, emergem novos modelos de produção, baseados em cinco princípios:
● Retire menos (muito menos) da natureza;
● Recicle o que já existe;
● Produza com menos gasto de energia;
● Não desperdice e destine responsavelmente os resíduos;
● Compartilhe o uso e as fórmulas do fazer.
Um das formas de buscar esse equilíbrio está no DIY, do Inglês “Do It Yourself” (faça você mesmo).
A frase de estímulo traduz de maneira espetacular o espírito empreendedor. E surgiu, acredite, na cena punk underground.
Na época, tinha relação com as bandas cujos membros botavam a mão na massa para produzir um show ou um novo álbum.
Montavam o palco, imprimiam os convites, montavam o sistema de iluminação e até construíam as caixas acústicas.
No caso dos álbuns, cuidavam de tudo, da preparação dos instrumentos até a implementação de um plano de marketing e publicidade.
Anos depois, esse conceito foi incorporado por gente de inúmeras outras áreas, de fazedores de computadores a recicladores de material orgânico.
O mais interessante deste processo é que as mídias digitais permitem hoje o compartilhamento global do conhecimento que permite o “fazer”.
Um bom exemplo é o TED (Tecnology, Entertainment, Design), que você pode acessar gratuitamente pelo endereço www.ted.com, ou assista aqui mesmo este vídeo:
Desde 1984, essa entidade sem fins lucrativos promove conferências e divulga conteúdos sobre ideias transformadoras.
Ali, você pode aprender a fazer um trator (sim, um trator) com peças simples, algumas encontradas no ferro-velho; outras, em lojas de ferragens.
Há também quem ensine a fazer uma geladeira que não usa eletricidade. Ou quem mostre as virtudes de um laboratório de análises clínicas do tamanho de um selo de carta.
Nos encontros, estudiosos falam também de coisas intangíveis. Um deles, por exemplo, mostra como a escola pode deixar de matar a criatividade.
Outro especialista é didático ao tratar do potencial do sexto sentido.
No Brasil, já temos entidades destinadas a compartilhar o conhecimento acerca do fazer. É o caso da DIY Brasil.
Ali, você pode aprender a fazer um aparelho anti-latidos para cachorros inquietos, um projetor de filmes, uma composteira doméstica ou uma bomba d’água movida a energia solar.
Há quem diga que essa onda vai destruir a indústria, gerar desemprego e baixar a renda das pessoas.
Posso dizer que é uma preocupação sem sentido. O compartilhamento e o DIY vão somente depurar nosso modo de produzir e consumir.
Esse movimento vai, aos poucos, influenciar as grandes empresas, que precisarão se tornar mais responsáveis e mais sustentáveis.
Nas grandes unidades industriais, vamos gastar menos e produzir aquilo que realmente é necessário, durável e reciclável.
A revolução começou por baixo. A ordem, agora, é fazer com que suba a escada da cadeia produtiva.
Empreenda, invente, participe! Não perca a chance de viver esta formidável aventura. Ajude a mudar o mundo e coloque seu nome na história.
Afinal, a teoria, na prática, funciona!
Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
terça-feira, 18/10/11
























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