A Economia do Cedro, meu novo livro, abordo o tema mudanças climáticas



edição 26 – publicado em 12 de janeiro de 2011.

Ainda ontem, soltamos a nossa News semanal, e você deve estar estranhando o recebimento de outra, logo em seguida. Não é? 

Pois bem… Aquilo que Jung chama de “coincidências significativas” me fizeram escrever novamente, de pronto, reagindo aos acontecimentos. 

Se o fator de sincronia foi ontem a redação da FUVEST, hoje é o caos provocado pelas chuvas em São Paulo. 

Em meu livro “A Economia do Cedro” procurei tratar cuidadosamente do tema “mudanças climáticas”. Quem tiver interesse pode comprar o livro aqui ou aqui.

Apresentei dados que atestam, por exemplo, a rápida mudança no padrão de eventos naturais. Mostrei, por exemplo, que as tabelas de previsões meteorológicas precisam ser atualizadas.

Bem… Mal aquela News chegava ao seu computador e os portais na Internet mostravam que já choveu, em 11 dias, 93% do previsto para Janeiro, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências. 

O resultado foi uma noite trágica na maior região metropolitana do país. O rios Tietê e Pinheiros transbordaram. O mesmo ocorreu com muitos córregos. 

Semáforos pararam de funcionar. O lixo tomou conta das ruas. 

E o pior de tudo: segundo o Corpo de Bombeiros, pelo menos 14 pessoas morreram nessas horas de medo e angústia. 

Neste momento, os oportunistas partidários encontrarão inúmeros culpados. Atribuirão a responsabilidade aos administradores filiados à agremiação rival. 

Estes, sem corar, vão colocar a culpa no pobre São Pedro. 

A verdade é que o planeta está mudando. A tendência é que eventos máximos como esse ocorram com frequência cada vez maior. 

Já não chove como antigamente nestas bandas. Está mudando o padrão. Está aumentando a quantidade de água despejada sobre a Grande São Paulo. 

Se a gestão tende, cada vez mais, a se tornar a gestão da mudança, apresenta-se aí, nesta área, um enorme desafio para todos nós. 

No “agora”, os administradores precisam ter muito mais atenção à limpeza de bueiros e galerias. Precisam modernizar e agilizar o sistema de coleta e descarte de lixo. Precisam corrigir a pavimentação dos pontos de alagamento e instalar sistemas adequados de drenagem.

Do ponto de vista macroestrutural, faz-se necessário alterar drasticamente os paradigmas de produção e construção. 

As enchentes, na verdade, são resultado de um descaso histórico. A responsabilidade não é somente dos governantes atuais, mas também de seus antecessores. 

Ou seja, esse é um problema antigo e sistêmico. 

A versão virtual da Folha de S. Paulo de hoje traz um texto da arquiteta Raquel Rolnik, da USP. Segundo ela, o caos de janeiro se deve à “opção de construir um sistema viário principal ao longo da várzea dos rios”. 

Ela critica veementemente a teimosa opção por uma política de mobilidade rodoviarista em São Paulo. 

“O pior de tudo é que os novos projetos nessa área, como, por exemplo, o alargamento da Marginal do Tietê, repetem exatamente o mesmo paradigma, ainda que já saibamos que as consequências serão funestas”, escreveu a especialista. 

Enfim, o resultado de tudo isso foi também danoso à economia. Gente perdeu o horário no serviço. Consultas foram desmarcadas. Reuniões de negócios foram canceladas. 

A natureza nos enviou mais um alerta. O que faremos a respeito? 

Afinal, nestes casos, as práticas convencionais têm mostrado que as teorias da gestão urbana estão velhas e ultrapassadas. 

Quem sabe, no entanto, a prática subordinada ao susto e à contingência nos leve a escrever uma nova teoria. 

É urgente!

Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
Compartilhe!

sexta-feira, 21/01/11