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Muito além da mesa.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Conheci Marcelo Ponzoni na época em que se anunciava o fim do mundo. O banco Lehman Brothers havia caído e muitos negociantes, no mundo inteiro, estavam desarmando suas barracas e guardando as mercadorias no caminhão.

 
 No próprio mercado publicitário, percebia-se um clima de fim de quermesse. Depois de bons anos de crescimento e prosperidade, estávamos supostamente embarcando numa crise sem precedentes.
 
Nadando contra a maré, Ponzoni lutava para desenvolver novas áreas de negócio em sua agência. Estava aperfeiçoando, por exemplo, o serviço de construção e manutenção de sites. Comprava equipamentos, investia, treinava pessoas.
 
E não sossegava. Botava suas ideias no papel, montava novos projetos e visitava todos os seus clientes. Por conta desse espírito empreendedor, acabava estimulando as pessoas a sua volta, de fornecedores a clientes, de colaboradores a colegas da área de propaganda.
 
Lembro-me de que, na época, produzi vários artigos sobre o comportamento desejado dos executivos em momentos de crise. Eu dizia que era hora de aprender, de reaprender, de inovar, de renovar, de fazer melhor e de buscar vantagens nos processos competitivos.
 
Afinal, nesses momentos sensíveis, somos mais capazes de desenvolver nossas capacidades, expor nossas capacidades e oferecer provas de superação.
 
Logo percebi que Ponzoni trilhava justamente esse caminho. Exercitava-se, desafiava-se, realizava experiências.
 
Um dia, fui visitar sua agência, na Zona Sul de São Paulo. E ele me ofereceu uma viva imagem desse espírito transformador.
 
Metade da Rae,MP estava num sobrado modesto, antigo. A outra metade, no entanto, já habitava um outro imóvel, contíguo, super moderno, bem decorado e projetado para oferecer conforto às equipes de trabalho e aos clientes.
 
Da rua, via-se na obra de reforma um símbolo desse processo de transformação. A metamorfose em curso.
 
Com o tempo, descobri um pouco mais sobre esse publicitário. E, surpreso, vi coincidências em nossas trajetórias.
 
Eu vendi bolinhos num campinho de futebol. Ele vendeu tênis All-Star reformados. Eu vendi material fotográfico e geladeiras. Ele vendou calcinhas e jeans. Tive uma revendedora de veículos. Ponzoni ajudou empresas do ramos a negociar milhares de veículos.
 
Percebi que ambos éramos vendedores, e que tínhamos gosto pelo ofício. Afinal, sempre vendemos alguma coisa. E a arte da venda tem sido fundamental ao processo civilizatório. Quem vende também inventa, aperfeiçoa, identifica demandas, gera conforto e participa efetivamente do desenvolvimento econômico e social do país.
 
A leitura de seu livro foi reveladora, e mais uma vez encontrei coincidências com a minha biografia. Ponzoni foi um garoto curioso, criativo, cheios de projetos, desde cedo interessado em negócios, vivendo numa São Paulo em ebulição. E, assim, lembrei das minhas aventuras de infância, dos jogos de bola, das guerras de mamona e das tardes que passava observando o trabalho de meus pais no bar que nos garantia o pão de cada dia.
 
Em outros capítulos, ele ministra uma verdadeira aula aos jovens, narrando passo a passo a construção e fortalecimento de sua agência, erguida do nada, nos fundos de uma agência de automóveis na Zona Leste de São Paulo.
 
Ali, vale a lição de dedicação, esforço e persistência, bem como seu talento para prospectar clientes e oferecer-lhes soluções e resultados.
 
Os capítulos finais do livro são reveladores de seu estilo na gestão de pessoas. Ponzoni estimula o aprendizado permanente, autoriza as experiências criativas e constrói, todos os dias, uma cultura corporativa cooperativa, em que clareza e franqueza são fundamentais.
 
Eclético, multimidiático, ele trabalha com afinco para identificar a essência na marca do cliente. Depois desse estudo meticuloso, entrega-se com dedicação à missão, seja ela a ativação de uma marca, uma mudança na imagem institucional ou simplesmente a busca de um incremento de vendas.
 
Quando a crise passou, o inquieto publicitário tinha mais uma coleção de vivos saberes. E, certamente, tinha constituído bons trunfos competitivos.
 
Arrisco dizer, portanto, que Ponzoni não queria apenas uma mesa. Na verdade, ele queria uma base, um porto seguro, ponto de partida para sua aventura empreendedora. E seria muito bom se todos empresários brasileiros copiassem o seu exemplo: arranje uma mesa, mas jamais se deixe acomodar atrás dela.

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Credibilidade é poder!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Certa vez, o Presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, ao perceber que teria que aprender a dizer muitos “nãos” para fazer um bom governo, teria dito: “Eu não sei o segredo do sucesso, mas o segredo do fracasso deve ser querer agradar à todos”. Ora, ele estava querendo dizer duas coisas; a primeira era que foco é a arma para entregar resultados, quem pensa em fazer tudo acaba fazendo nada e, segundo, que não poderia nem iria atender a todos ou a todas as solicitações pois o governo e ele próprio tinham limitações.

A condição básica para se dar bem em qualquer coisa que se faça ou se queira fazer na vida é atitude. Sei que muitas vezes trabalhamos para a empresa que nos dá trabalho e não exatamente para a empresa que gostaríamos de trabalhar, mas, se você é incapaz de amar a empresa para a qual trabalha, é melhor buscar outro emprego. Quanto mais você se orgulhar da empresa que representa, mais brilho haverá nos seus olhos, mais vibrante será a sua fala, mais credibilidade passará aos seus clientes.Estar envolvido com a sua empresa, comprometido com o time como um todo é fundamental para o seu sucesso.

Dizem que nos apaixonamos mais pelas semelhanças que pelas diferenças, se você acredita nisso, procure conhecer mais profundamente a sua empresa. Quando conhecemos melhor os membros do nosso time, mais nos orgulhamos dos resultados do trabalho de todos.

Preste atenção nas mensagens que sua empresa deseja passar ao mercado, preste atenção nos clientes, na concorrência, traga as novidades para sua gerência, participe das decisões, demonstre que você é fiel a sua empresa e que quer vê-la vencer sempre. Comprometimento é fundamental, altamente apreciado e o levará a vôos mais altos.

Quem não conhece os seus limites não consegue dizer não e quem não diz não acaba por prometer o que não pode entregar. É bom lembrar que Credibilidade é Poder!

Essas limitações também têm a ver com sua saúde, estado de espírito, capacidade de realizar certa quantidade de tarefas. Tudo que você se propuser a fazer precisa ter qualidade, não troque esta pela quantidade. Seja sempre sincero com seus clientes, com seus colegas e com sua chefia sobre suas limitações. Afinal, reconhecer seus limites á a base para ampliá-los.

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O sucesso não tem preço!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Trabalhar bastante já faz parte da vida de quase todos os profissionais que conheço. Aquela jornada de 40 horas semanais há tempos que foi esquecida por muitas organizações. E não é raro nos pegarmos respondendo a e-mails e trabalhando nas horas que deveriam ser lazer, como finais de semana, madrugadas, ou ainda nos feriados.

Parece que ainda sofremos os efeitos colaterais da reengenharia das empresas, que enxugou o quadro de funcionários, e aumentou violentamente o volume de trabalho de todos eles, sem, no entanto, aumentar tão significativamente seus salários e o reconhecimento pelos resultados alcançados.

E esta é uma questão que aflige a todas as camadas hierárquicas das empresas, sejam elas pequenas, médias ou grandes. A situação se faz presente do salão de beleza, no hipermercado e na multinacional.

O cenário que temos hoje é de extremo cansaço nas empresas. Principalmente, por parte dos melhores talentos, que por uma questão matemática, assumiram um maior volume de trabalho. Em outras épocas, o medo de perder o emprego determinou muitas de nossas ações e atitudes cotidianas. Hoje, o ambiente pede que se tenha um reconhecimento digno por todo o esforço empregado para a obtenção de resultados significativos. Você anda despontado com o seu reconhecimento?

Pois saiba que menos de um terço dos altos executivos quer ser reconhecido pelo aumento de responsabilidades, e quase metade dos gerentes quer mais responsabilidade, o que nos faz concluir que muito mais que os executivos, os gerentes querem e buscam uma promoção como forma de reconhecimento, bem como oportunidades para crescer e ser reconhecido por toda a organização.

Mas o que será que a maior parte das pessoas busca como forma de reconhecimento? Se você pensa que é o salário, está redondamente enganado. Os trabalhadores buscam hoje palavras sinceras, que sirvam como incentivo para o crescimento. Elas são, comprovadamente, catalizadoras de sucesso nas empresas. E por que fechar os olhos para esta necessidade?

As pessoas querem cada vez mais respeito e valorização. Se você não pode aumentar o salário ou distribuir bônus, cumprimente o seu colaborador por ter feito um bom trabalho. Faça isso com o coração, e descobrirá que a fórmula do sucesso é simples e barata. Experimente: não custa nada e pode ter um valor inestimável para quem recebe!

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O que você quer mesmo?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Nada acontece sem que você deseje e faça por acontecer. A vida não lhe dá o que dela você não espera, é verdade, mas o que você quer mesmo?

Foco é saber o que quer, qual o objeto de sua próxima conquista. É preciso ter objetivos claros e condizentes com a realidade, possíveis de serem alcançados. Para cada objetivo, estabeleça o tempo em que espera conquistá-lo, e mantenha-o sempre na sua mira.

O grande segredo é ter menos objetivos em menos tempo do que ter muitos objetivos em muito tempo. Fácil: se você tem três grandes objetivos para o ano, que tal colocar um para cada quatro meses?

Estatísticas mostram que as pessoas menos efetivas são aquelas que estão sempre mudando seus objetivos antes de alcançá-los. É fácil perder o foco, e quem não o mantém, nada conquista. Uma pesquisa feita pela Franklin Covey, empresa norte-americana líder em treinamento e consultoria para o aumento da eficácia organizacional, mostra que, quando temos um objetivo claro, as chances de alcançá-lo são de 80%. Quando temos cinco objetivos simultâneos, as chances baixam para 35% de probabilidade de alcançarmos um dos cinco.

Temos que decidir hoje como vamos viver no futuro. Não acho que devemos abrir mão de viver o presente para preparar o futuro, afinal, este ainda não existe e tudo o que temos é o exato momento em que vivemos.

Porém, em termos de negócios, tempo conta sim. Tradição e passado também. Nossos relacionamentos, experiências, imagem e reputação é o que tornará o nosso trabalho no futuro mais fácil ou difícil. Construímos hoje o alicerce para os nossos futuros negócios e temos sim que nos preocupar com isso. O mercado não perdoará nossa falta de atenção e o nosso despreparo.

No final de tudo, os bons deixam as suas marcas nas empresas e mercados por onde passam. Afinal, como você gostaria de ser lembrado quando parar de trabalhar? 

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Por que é bom ser brasileiro

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A frase que mais se ouve lá fora é: o Brasil finalmente decolou, seguindo o título de uma capa recente da revista The Economist. Em missões de negócios ou palestras, tenho sido constantemente abordado por executivos que procuram saber qual é o nosso segredo.

O fenômeno é muito complexo e não pode ser explicado em um artigo, muito menos em uma frase de efeito. Por isso, meu próximo livro terá vários capítulos dedicados ao tema.

Posso, no entanto, adiantar alguns pilares desse estudo.

O Brasil é, sobretudo, o resultado desse “Grande Portugal” que se iniciou com a aventura cabralina.

Frequentemente, imagina-se o português como um europeu espertalhão cujo único objetivo era surrupiar as riquezas da terra encontrada.

Esquece-se, entretanto, que muitos lusitanos quiseram, sim, fazer a vida do outro lado do Atlântico. E, do ponto de vista antropológico, constituíram o povo mais mestiço do mundo.

Isso quer dizer que o português misturou genes, culturas e talentos de várias partes do globo. Aos poucos, com tolerância e sapiência, compôs no Brasil uma amostra da “gente do planeta”.

Esse “mix” é responsável por algumas das nossas maiores virtudes: adaptabilidade, versatilidade, criatividade, inventividade e tendência à conciliação.

O “jeitinho brasileiro”, quando positivamente expresso, produz maravilhas. Conquista cinco títulos mundiais de futebol, cria uma melodia como a bossa nova, ergue do chão um 14-Bis, faz vingar uma empresa como a Embraer e desenvolve um trabalho de promoção social como aquele da saudosa Zilda Arns.

Temos uma natureza exuberante e enormes reservas de petróleo e minérios, mas nosso maior patrimônio é a diversidade humana: o caboclo antropólogo, a japonesa sambista e o euroameríndio que projeta foguetes.

Vale dizer que este Brasil eclético e emergente é, sobretudo, empreendedor. É um lugar a ser reinventado todos os dias.

Anote aí: os próximos anos serão incríveis. Agora que nos redescobrimos, temos muito a fazer. Reformar o sistema educacional, construir estradas e multiplicar as estações geradoras de energia. Oportunidades muitas. E você: já está preparado para surfar esta onda?

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