Hoje quero dedicar este espaço ao seguimento de varejo. Em particular, dividir com vocês uma experiência que tive ao voltar de Natal, após uma palestra.
Mais precisamente no lindo aeroporto da cidade. Enquanto esperava o vôo, resolvi comprar umas revistas. Passava os olhos pelas prateleiras quando entrou um senhor com seu filho de, estimo eu, uns seis ou sete anos.
Esse senhor comprou o jornal, um dicionário e, enquanto escolhia, o garotinho parou diante de um display de revistas infantis e desesperadamente folheou-as com os olhos arregalados, alucinado e encantado com tantas possibilidades. Atrás do balcão, a atendente acompanhava tudo, já que, àquela hora da manhã de um domingo, o aeroporto estava vazio e sua loja também. O pai pagou, chamou o menino e saiu. O pequeno soltou as revistas e seguiu o pai, com um indisfarçável ar de frustração.
Sucesso = atração + conversão + retenção
Ao contrário de uma indústria que manda vendedores bater às nossas portas, o varejo abre as portas e espera os clientes. É quase uma venda passiva: se o cliente não entra nada acontece, não vendemos e quebramos.
Logo a primeira função para o sucesso do negócio é atrair o cliente para dentro da loja. Para isso, fazemos anúncios, escolhemos cuidadosamente o ponto, cuidamos da fachada, iluminação. Uma vez que o cliente entra na loja, é preciso converter a visita em venda, pois até aí, o caixa ainda não tilintou. Mais que vender é preciso maximizar esta visita, vendendo o máximo que se pode.
No caso da livraria do aeroporto, a missão maior, que era atrair o cliente para dentro da loja, foi cumprida: pai e filho entraram. O pai comprou passivamente, sem interferência da vendedora, mas poderia ter levado algo mais, para si ou para o pobre garoto, que só ficou no sonho e na experimentação.
O último e também importante elemento dessa fórmula de sucesso é a retenção, que nada mais significa que transformar o cliente em freguês, ou seja, não apenas efetuar a maior venda possível como também garantir que volte à loja, recomende-a aos amigos etc.















É realmente uma pena ver exemplos como esse, e provavelmente com um esforço tão absurdo das editoras, de chamar atenção na produção e direção de arte para revistas infantis, que travam uma guerra visual nos PDVs. Bastava um empurrãozinho de leve para que a venda fosse imediatamente feita… e de quebra um chocolatinho.
Lembro das “quitandas” que eu ia quando criança e sempre saía com um chocolate, bala ou pirulito, mesmo minha mãe querendo apenas ir pra comprar alface, batata ou qualquer outro ítem para a refeição mesmo. Bastava ficar olhando pro doce, sem precisar falar nada, e depois no caixa, apontar pro doce, a dona da quitanda já abria o pote e tirava um ou dois pra mim, muitas vezes deixando de graça. Virava “point” da criançada e de suas mães.
Fidelização total… obviamente não só pela proximidade geográfica, mas por essa empatia com os clientes.