O que a campanha “Keep Walking, Brasil” da Johnnie Walker tem em comum com a fase que nosso país está enfrentando?
Lançada recentemente, uma peça de propaganda televisiva despertou intensos debates entre os brasileiros.
Trata-se da “Keep Walking, Brazil”, do uísque Johnnie Walker (Diageo).
Nas imagens, uma enorme figura de pedra se ergue da paisagem do Rio de Janeiro. Sua cabeça está esculpida na Pedra da Gávea, considerada por alguns estudiosos antigos como o túmulo de um rei fenício.
Utilizando a lenda do “gigante adormecido”, os publicitários constituíram uma poética referência ao despertar do nosso Brasil, que hoje caminha para se tornar uma potência econômica mundial.
A criação foi da agência Neogama/BBH. Os efeitos especiais foram produzidos pela The Mill, a mesma que garantiu o Oscar da categoria para o filme Gladiador.
Tudo foi gigante nesse empreendimento publicitário. A peça teve 216 figurantes, 11 quilômetros de filme e 12 mil horas de computação gráfica. Custou R$ 5 milhões. No total, 420 pessoas participaram do projeto.
A ideia, segundo os criadores, foi incentivar o Brasil a continuar seu avanço rumo ao pleno desenvolvimento.
Durante esta semana, centenas de milhares de pessoas assistiram ao comercial pelo Youtube. E muitas discutiram a natureza e o propósito da campanha.
A maior parte dos internautas elogiou o trabalho, comoveu-se e escreveu sobre a importância da brasilidade.
Obviamente, como convém numa democracia, houve também comentários negativos e mesmo ofensivos ao país e sua gente.
Alguns destacaram apenas o que é negativo no Brasil, como a corrupção, a burocracia e os problemas associados aos serviços públicos nas áreas de saúde, educação e segurança.
Particularmente, adorei a metáfora. Ela mostra que nada está resolvido, que estamos apenas despertando de um sono longo e profundo.
De fato, temos inúmeros desafios no Brasil de hoje. Precisamos colocar os corruptos na cadeia. E também criar modelos educativos e instrumentos jurídicos capazes de tornar as relações mais limpas, tanto no setor público quanto no setor privado.
Também temos de desburocratizar e facilitar a atividade empreendedora. E, lógico, exigir um uso apropriado dos recursos angariados com os impostos.
No entanto, precisamos também valorizar o que conquistamos a partir da redemocratização, nos anos 1980.
Tocamos um projeto espetacular de estabilização econômica, honrando contratos e domando a inflação galopante.
Depois, realizamos um louvável esforço de resgate social, incluindo milhões de pessoas ao mercado de consumo.
Se temos muitos obstáculos a superar, também é certo que estamos caminhando, como o gigante da Johnnie Walker.
Como escrevo no capítulo sobre o Brasil emergente, em meu livro A Economia do Cedro, temos muito o que fazer, especialmente em áreas como infraestrutura e educação.
No entanto, estamos construindo diariamente esses caminhos, refinando consciências, estabelecendo novas oportunidades para quem pretende produzir, vender, divulgar, ensinar e inovar.
E quem faz essa extraordinária revolução é o povo brasileiro, tão criativo quanto miscigenado, tão resistente quanto entusiasta da diversidade cultural.
Quem faz esta revolução, caro leitor, é você, diariamente, ao tocar um novo projeto, ao inventar uma solução de sustentabilidade, ao agilizar um sistema de informação, ao liderar uma equipe de trabalho, ao ministrar uma aula, ao botar um tijolo sobre outro.
Se os governantes têm seguido determinadas rotas nos últimos 25 anos é justamente por conta da pressão dos intelectuais, dos empresários, dos estudantes, dos profissionais de mídia, dos operários, enfim, de todos aqueles que trabalham e produzem.
Vamos manter a postura crítica, porque o gigante merece ficar acordado e atento. Sejamos intransigentes nas questões éticas.
Mas vamos andar para a frente, com muita determinação, cultivando o amor e o orgulho pelo que somos. Pois, vale lembrar o que escreveu, com maestria, Joaquim Osório Duque Estrada, em nosso Hino Nacional:
Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.
Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
sexta-feira, 14/10/11
























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