O fim do modelo tradicional de negócios: difunda a ideia de empreendedorismo sustentável

No início do ano, os veículos de mídia carecem de notícias. O mundo parece congelado. Se não há uma catástrofe, como uma enchente ou um terremoto, nada de jornalisticamente relevante acontece.
O melhor deste “branco” informativo é que pode servir à reflexão, ao planejamento e ao exercício do livre pensar.
The New York Times, por exemplo, aproveitou para publicar um excelente artigo do megaempresário inglês Richard Branson, criador do Virgin Group, que engloba mais de 400 companhias.
O empreendedor é conhecido por vários motivos. Tem uma fortuna avaliada hoje em US$ 4,2 bilhões. Enfrentou sérios problemas na escola por conta da dislexia. Vive tentando quebrar recordes mundiais, em balões ou veículos aquáticos.
Pouca gente sabe, no entanto, que seu principal talento é estabelecer relações e promover desenvolvimento compartilhado.
Ele criou, por exemplo, a Virgin Unite, uma fundação que trabalha em vários projetos globais destinados a multiplicar oportunidades econômicas e difundir ideias de empreendedorismo.
É o caso da Branson School of Entrepreneurship, fundada em 2005, na África do Sul. O próprio empresário costuma estar presente na escola, oferecendo serviços de coaching e mentoring para os estudantes. A Jamaica também ganhou um centro do gênero.
Branson anda também preocupado com os efeitos do aquecimento global e do esgotamento das fontes de energia. Seus encontros para discutir o problema reúnem gente como o ex-primeiro ministro britânico Tony Blair, o co-fundador da Wikipédia Jimmy Wales e o co-fundador do Google Larry Page.
O empresário também participa ativamente de movimentos pelo desarmamento e toma parte na Broadband Commission for Digital Development, uma iniciativa da ONU. destinada a universalizar o acesso a serviços do mundo virtual.
Branson mostra que o sucesso não precisa estar atrelado a uma postura gananciosa e predatória.
Em seu artigo no NYT, ele afirma que os grandes negócios devem promover a mudança social e não buscar somente o lucro. Escreve:
- Nós temos que mudar a forma como fazemos negócios. (…) Até agora, os negócios – ou o capitalismo, em grande parte – significam apenas ganhar dinheiro para diretores e acionistas, mas raramente significam fazer algo de bom. É hora de mudarmos isso.
De acordo com Branson, há muitas pequenas empresas ao redor do mundo – desde vinícolas orgânicas na Austrália até cooperativas de moda de lã de lhama, no Equador, – que estão mudando para melhor a forma como os negócios são feitos.
Para o empreendedor, uma empresa socialmente responsável precisa se afastar da fórmula tradicional de simplesmente doar dinheiro para a caridade. Segundo ele, a ordem hoje é fazer com que as companhias se tornem sócias dos projetos, visando a promover o progresso compartilhado.
Nesse particular, ele sublinha a necessidade de se difundir a ideia de empreendedorismo sustentável, o que vem fazendo de forma dedicada em seus centros de educação corporativa.
- Promovemos uma nova onda de empreendedores emergentes, juntamente com líderes e trabalhadores nos negócios existentes, que estão desenvolvendo um negócio, ganhando a vida e, ao mesmo tempo, tentando fazer mais para ajudar as pessoas e ajudar o planeta.
O britânico afirma que é hora de mudar a ideia de que o lucro é a única força motriz dos negócios. Para ele, muita gente já não tem medo de dizer: “danem-se os negócios de costume”!
Ao final do artigo, ele pergunta se nós, leitores, já aderimos a esse novo modelo. Quem leu meu mais recente livro, A Economia do Cedro, sabe que já estou neste barco. Agora, eu pergunto: e você?
quinta-feira, 05/01/12























