Economicamente viável, mas com olhos no futuro.

Está certo! Lucro é bom. É o que faz um projeto economicamente viável. No entanto, nem sempre é a prioridade.
Num mundo marcado por enormes desigualdades, alguns empreendimentos podem ter como meta simplesmente erradicar a fome, gerar trabalho e constituir mercados consumidores futuros.
É o caso do Grameen Bank, uma organização focada em microfinanciamento, criada em Bangladesh, no subcontinente indiano.
A ideia surgiu em 1976, de uma experiência vivida pelo professor de economia Muhammad Yunus, que havia estudado nos EUA, como bolsista do programa Fulbright, na Vanderbilt University.
Um dia, em Jobra, o acadêmico encontrou-se com Sufia Begum, uma mulher de 21 anos que vivia na pobreza.
Ela se sustentava produzindo tamboretes de bambu. Para comprar a matéria prima, tomava empréstimos unitários equivalentes a 25 centavos de dólar.
Os juros eram de 10% ao dia e Sufia era obrigada a vender seus produtos ao agiota, obviamente por um valor muito inferior ao do mercado.
Depois de cada transação completa, Sufia recebia o equivalente a 2 centavos de dólar.
Interessado em aprender sobre essa sistemática de financiamento, Yunus conheceu 42 mulheres na mesma situação e emprestou-lhes, do próprio bolso, o equivalente a 27 dólares, com juros bancários convencionais.
Pouco tempo depois, obteve de volta o capital investido e os juros dos empréstimos efetuados.
Em 1983, o projeto deu origem ao Grameen Bank. Hoje, a instituição afirma ter distribuído o equivalente a mais de 11,7 bilhões de dólares em operações de microcrédito. São mais de 8,3 milhões de clientes em cerca de 81 mil vilarejos do país.
O banco sustenta que seu público (mais de 97% mulheres) é composto de bons pagadores e que poucos deixam de devolver o dinheiro embolsado. O rate recovery é de 96,65%.
O Grameen considera ainda que mais da metade dos tomadores de crédito em Bangladesh superaram a extrema pobreza após aderirem aos programas da instituição.
Segundo os executivos do banco, esses cidadãos resgatados têm os filhos na escola, fazem três refeições diárias, vivem em casas cobertas (com banheiro), bebem água potável e são capazes de reembolsar os empréstimos efetuados.
Em 2006, Yunus (Grameen Bank) foi laureado com o Nobel da Paz, por conta de seu trabalho pioneiro na oferta do microcrédito, responsável por gerar desenvolvimento econômico e oportunidades de trabalho, especialmente para as mulheres.
Em 2008 tive a oportunidade de estar com Yunus, no World Business Forum em Nova York e conhecer de perto sua teoria de Emprestar para os Pobres, como uma lição de vida e uma estratégia de sucesso.
Yunus coleciona muitos críticos e inimigos políticos. Em março do ano passado, o governo de Bangladesh o demitiu de seu posto de comando no banco, num episódio de grande repercussão internacional.
Com certeza, a fórmula de Yunus não é a única capaz de gerar riquezas e reduzir desigualdades.
No entanto, é certo que ele nunca se acomodou e tem sempre buscado inovar na construção de uma ordem econômica inclusiva.
Nos próximos posts, nos aprofundaremos na análise desta experiência e nas parcerias do Grameen, como aquela estabelecida com a Danone.
Até lá.
sexta-feira, 02/03/12























