Ao navegar em direção ao Brasil, os comandantes das caravelas portuguesas já sabiam que um trecho específico do caminho seria duro, pois lhes faltaria o combustível natural, o vento.
Isso ocorria nas “horse latitudes”, entre 28 e 32 graus norte, uma área de alta pressão atmosférica, onde os ventos costumam ser fracos e variáveis.
A denominação dessa faixa tem origem justamente na época dos descobrimentos. Por vezes, por ficarem “atolados” nesse pedaço de mar, os navegantes eram obrigados a sacrificar os cavalos que transportavam.
Afinal, a água era limitada e mais valia preservar a vida da tripulação.
Dificuldades desse tipo, eram encontradas também na viagem de volta, pois os ventos predominantes acima da Linha do Equador , os alísios de nordeste, são contrários. Os barcos velejavam como se subissem uma ladeira.
Ora, mas o que isso tem a ver com negócios. Será que o Carlos Julio desistiu da vida de executivo para virar marujo?
Primeiramente, a arte da navegação é um saber caro aos portugueses e descendentes, como eu. Além disso, o desafio de levar um barco de A para B tem extraordinária semelhança com a gestão de uma empresa.
Se há uma crise, como a falta de vento, os capitães executivos devem estar atentos a dois fatores:
1) utilizar suas velas da maneira mais inteligente possível;
2) aproveitar cada rajada de vento.
O mundo das bolsas de valores, por exemplo, começa a emitir sinais de recuperação. Ora, se há alguma brisa, é preciso que os líderes navegadores saibam aproveitá-la. Isso inclui reciclar equipes, remodelar produtos, redesenhar processos e até redefinir a comunicação com os clientes
Quem dormir nas “horse latitudes” da economia corre o risco de ficar lá para sempre. Os novos ventos exigem a construção de novos paradigmas. Como adverte Tom Peters, em Re-Imagine!:
- Velhas regras? Indo… Indo… Foram-se.
Vale lembrar que os espertos portugueses perceberam as dificuldades no Atlântico ao retornar de suas primeiras viagens à África. Assim, modificaram a configuração das naves, distribuindo estrategicamente velas latinas (triangulares) e velas redondas, de modo a aproveitar cada sopro de vento.
Com isso, os lusitanos obtiveram expressiva vantagem sobre outras potências navais. Portanto, amigo, se você costumava contar piadas de português, talvez seja hora de rever seus conceitos. Para sair bem da crise, viaje à moda portuguesa.
Tags: E se sopra uma brisa? carlos alberto julio, Palestrante
Esse post foi publicado de terça-feira, 25 de agosto de 2009 às 12:24, e arquivado em Artigos. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0.
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