Consumo colaborativo. Sustentabilidade, comodidade e lucro sobre rodas!

Após o lançamento de meu livro A Economia do Cedro, há cerca de um ano, passei a utilizar este espaço virtual para mostrar alguns dos mais importantes empreendimentos sustentáveis do mundo.
Entre tantos, citei o exemplo da Zipcar, um sistema de compartilhamento de carros criado de forma modesta, em 2000, por Antje Danielson e Robin Chase, em Massachussetts, nos EUA.
O intuito principal da dupla era fazer um favor às cidades e ao planeta, tirando carros das ruas e reduzindo a emissão de poluentes. Deu certo! Segundo os responsáveis pelo negócio, cada carro agregado ao projeto tira hoje outros 19 de circulação.
Em maio último, quando de minha postagem, a Zipcar mantinha uma frota de 8 mil veículos e havia acabado de estrear na NASDAQ, depois de levantar mais de US$ 174 milhões em seu IPO.
Hoje, são mais de 9 mil carros e cerca de 650 mil membros, num sistema que abrange cidades dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido. A empresa informou recentemente que obteve lucro líquido de US$ 3,9 milhões no quarto trimestre de 2011, resultado excepcional se comparado à perda de US$ 1,1 milhão no mesmo período do ano anterior.
Isso quer dizer que a empresa aprimorou sua gestão profissional e deixou de ser apenas ambientalmente sustentável. Agora, está também gerando dinheiro para os investidores e para aqueles que a administram.
A Zipcar converteu-se, portanto, em exemplo de negócio inovador e lucrativo. Gera mobilidade a baixo custo, ajuda a desafogar o trânsito nas cidades, contribui para um ar mais puro e ainda prova que projetos do gênero podem ser economicamente viáveis.
Você pode achar que meu entusiasmo é exagerado. Na verdade, não é. Segundo a revista especializada Ward’s AutoWorld, ao fim de 2010, a população mundial de veículos já era superior a 1 bilhão de unidades.
Desses, 64,8 milhões circulavam no Brasil, número que representava um aumento de 119% em dez anos. Pesquisas realizadas na Universidade Católica de Brasília revelaram que o país precisaria multiplicar por 11 a cobertura da Mata Atlântica para neutralizar essas emissões de gás carbônico.
Nos Estados Unidos, cada carro emite a cada ano, em média, 5,1 quilos de dióxido de carbono, sem contar os outros poluentes, o que explica a péssima qualidade do ar em várias grandes cidades. E não fica só nisso: em 2011, aproximadamente 1,2 milhão de pessoas morreram em acidentes de trânsito.
O Brasil já tem iniciativas semelhantes à da Zipcar, aqui mesmo em São Paulo. Mas isso fica como tema para o artigo da próxima semana. Aguarde!
quinta-feira, 16/02/12
























Pingback: Consumo Colaborativo. Ainda sobre rodas e sustentabilidade. | Carlos Alberto Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor