Como viver bem na selva das estações de trabalho?

Nos últimos anos, temos lido inúmeros estudos sobre a importância do ambiente físico nas corporações, especialmente nos setores de gestão, controle e comunicação.
No campo da chamada “ecologia humana”, esses espaços aparecem muitas vezes como territórios de aflição e sofrimento. São lugares hostis, não sustentáveis e comprometem tremendamente a produtividade.
O mais interessante é que sobram divergências nessa área. Há quem advogue a derrubada das paredes e até mesmo a eliminação das baias (divisórias baixas).
Há, no entanto, quem reivindique o retorno ao modelo de pequenos escritórios, ou seja, dos antigos pombais administrativos.
Os grandes salões laborais abertos teriam algumas vantagens teóricas:
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Circulação rápida e efetiva da informação;
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Estímulo à cooperação;
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Interação interdepartamental;
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Redução da distância de poder;
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Incentivo à produção criativa;
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Visão de conjunto da operação;
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Maior descontração.
Logicamente, há quem aponte os problemas decorrentes dessa arquitetura:
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Perda da privacidade;
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Controle visual exercido pelas chefias;
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Intromissão;
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Dispersão;
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Ruído excessivo;
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Perda de especificidade e especialidade;
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Risco maior de contaminações no campo do tangível (gripes) e no campo do intangível (baixo astral).
A verdade é que, neste caso, todo mundo tem razão. Há situações que dão razão a gregos; outras que favorecem os troianos.
Muitas vezes, um projeto está empacado. De repente, poucas horas antes da entrega, o gestor resolve formar um grupão de voluntários no espaço aberto.
Depois de alguns minutos, a coisa deslancha, magicamente. O gerente vai buscar cafezinho. O motoboy dá uma ideia genial. A secretária ajuda a revisar o relatório. O diálogo entre dois técnicos de áreas diferentes acaba rendendo uma estratégia operativa espetacular.
Noutras ocasiões, o resultado é inverso. É uma segunda-feira e a decisão do campeonato, entre Santos e Corinthians, foi marcada por polêmicas de arbitragem. Pior para a empresa que precisa finalizar sua proposta num processo de licitação.
Forma-se logo o caos. A discussão sobre logística é substituída por acalorado debate futebolístico. Vale menos determinar o custo de um insumo da produção do que decidir, de uma vez por todas, se Neymar sofreu ou não pênalti no último minuto da partida.
Por vezes, é muito bom trabalhar no meio do povo e colher, com rapidez, opiniões e sugestões.
Por vezes, é terrível ter que ouvir, na mesa ao lado, uma conversa telefônica sem qualquer relação com a tarefa do dia.
A vida no cubículo, tão criticada por Tom Peters e por Dilbert, pode representar o fim do estímulo criativo e do ímpeto inovador.
Mas a salinha pode ser também o refúgio onde o especialista encontra paz para montar uma estratégia ou redigir um bom texto.
Ao bom gestor cabe, portanto, analisar a natureza de sua operação, avaliar o comportamento da equipe e as características de seu espaço físico.
Muitas vezes, o ambiente físico sustentável mescla áreas abertas e áreas fechadas. São territórios de intensa circulação e compartilhamento e outros destinados ao recolhimento e à concentração.
Sem dúvida, viver na diversidade de espaços requer esforços educativos que moldem condutas apropriadas a cada realidade.
Quem dispõe de uma sala privativa não pode alienar-se, tampouco acreditar que aquilo é uma toca ou bunker.
Quem trabalha num coletivo não pode soltar a voz ao telefone, tampouco contar uma anedota quando o colega estiver tentando concluir uma tarefa delicada ou complexa.
Bons gestores ajustam seus colaboradores para performances cooperativas, nas quais impera a discrição e o respeito.
Sustentável, afinal, é quem consegue constituir ambientes saudáveis e produtivos, seja no silêncio pacificador do gabinete, seja no alarido inspirador da arena.
sexta-feira, 30/03/12























