Como melhorar a gestão da sua empresa observando o futebol brasileiro?
Além de torcedor do Santos Futebol Clube, tricampeão da Libertadores, sou fascinado por futebol e não deixo de colecionar nesta cancha bons exemplos sobre gestão organizacional.
Confesso que fiquei abismado com os fatos ocorridos na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2009.
O Fluminense, que chegara a ter 99% de chance de ser rebaixado, foi a Curitiba enfrentar o Coxa, que precisava de uma simples vitória para evitar o descenso.
No final, o Botafogo venceu o Palmeiras e um azedo empate botou o time paranaense mais uma vez na Série B.
O que se seguiu, naquele final de tarde, foi uma batalha campal. Torcedores inconformados depredaram o estádio, invadiram o gramado e feriram policiais e até jornalistas. Um horror. Um péssimo exemplo para os jovens brasileiros que acompanhavam a partida pela televisão.
O resultado foi péssimo para o centenário clube alviverde, que perdeu 10 mandos de campo na segunda divisão, disputada no ano seguinte.
Para muitos, o rumo do Coxa era o fundo do poço. Passaria anos longe da divisão principal, a exemplo do que ocorre com seu rival regional, o Paraná.
Surpreendentemente, o Coritiba usou o fracasso como lição para reerguer-se, reformulando suas práticas de gestão e montando uma equipe competitiva.
Logo, sinalizou a volta por cima ao conquistar o título estadual. Na Série B, superou o drama do exílio e conquistou o acesso à série principal e o título do torneio.
Em 2011, o time venceu de forma invicta o bicampeonato paranaense e teve excelente desempenho na Copa do Brasil, obtendo um honroso vice-campeonato.
Vale lembrar que o Coxa estabeleceu outro feito admirável. Atingiu o recorde brasileiro de 24 vitórias seguidas, fechando esse período com uma sonora goleada de 6 x 0 sobre o Palmeiras do hoje aposentado São Marcos.
Em posts anteriores, destaquei alguns bons exemplos do futebol brasileiro em 2011. Logicamente, aplaudi a gestão do presidente do Santos, o “Laor”, que corajosamente segurou Neymar e Ganso, soube aplicar receitas na manutenção de um time competitivo e foi capaz de valorizar a marca do alvinegro praiano.
Também lembrei do acerto do Corinthians em manter Tite no comando. O “executivo” do time manteve o cargo mesmo com alguns tropeços e pôde concluir seu projeto, levando o Timão ao penta brasileiro.
No caso do Coritiba, convém lembrar que o trabalho de reestruturação teve início em um período conturbado, em que muitos torcedores eram caçados pela política curitibana, depois dos distúrbios no Couto Pereira.
Em dois anos, desenvolveu-se um projeto exemplar de profissionalização dos instrumentos de gestão.
Pelo que acompanhamos, esse trabalho gerencial visou também a valorizar os recursos humanos, especialmente os atletas, que mostraram dentro das quatro linhas motivação e compromisso.
As mudanças no campo administrativo surtiram efeito no desempenho esportivo e, automaticamente, estimularam a massa alviverde a participar do esforço de recuperação.
Um dos protagonistas desse processo foi o dirigente Vilson Ribeiro de Andrade, recentemente eleito presidente do clube.
Agora, ele apresenta como plataforma de gestão o investimento em infraestrutura, o fortalecimento do time principal, um controle rigoroso das finanças, o investimento nas categorias de base e a disposição para tornar o Coxa uma organização ainda mais confiável, bom veículo para a divulgação de marcas corporativas.
Essa tem sido, há anos, a boa receita na constituição de potências esportivas. Recentemente, mostrei que o sucesso do Barcelona tem origem justamente nas inovações de gestão implantadas no clube por Ferran Soriano. Como ele mesmo sentencia ao analisar o futebol: “a bola não entra por acaso”.
quinta-feira, 19/01/12
























