Como gestão e planejamento estratégico deram o mundial para o Barcelona.

Neste ano, já falamos bastante do meu Santos e de seus acertos no campo da gestão e no campo de jogo.

Agora, cabe uma reflexão sobre o Barcelona, o melhor time em atividade, que domingo sagrou-se campeão mundial da FIFA.

Quem assistiu à partida, pôde ver uma equipe organizada, concentrada, equilibrada, extremamente zelosa com a bola e capaz de colocar em prática um enorme repertório de jogadas.

Tem sido assim nos últimos anos. O atual técnico, Josep Guardiola, ganhou nada menos que 13 dos 16 títulos que disputou.

Mas o que, afinal, garante tanto sucesso ao clube catalão?

Sem dúvida, é um trabalho de gestão formidável, marcado pela compreensão do negócio futebol, por um planejamento estratégico e por um esforço notável de valorização de recursos humanos.

O Barcelona entendeu que uma “empresa” é feita de pessoas e que seu objetivo é gerar satisfação para outras pessoas.

Muitos cartolas brasileiros acreditam que um clube de futebol existe prioritariamente para fazer dinheiro (muitas vezes, para eles mesmos). Estão errados!

Um clube esportivo existe para gerar felicidade para seus membros e seguidores. O dinheiro é meio, não é finalidade.

Podemos estender esse pensamento a toda atividade empresarial. Uma companhia existe para constituir mercados, gerar produtos e serviços, fazer girar a economia e, assim, elevar a qualidade de vida das pessoas (interna e externamente).

O lucro, ou seja, o dinheiro obtido serve como validação do empenho empreendedor e combustível que garante o movimento.

O case do Barcelona está bem contado no livro “A bola não entra por acaso – estratégias inovadoras de gestão inspiradas no mundo do futebol”, de Ferran Soriano, ex-vice presidente econômico do clube.

Entre 2003 e 2008, Soriano dedicou-se a construir um “círculo virtuoso”: contratar e formar excelentes jogadores, satisfazer os torcedores, conquistar novos adeptos, valorizar a marca Barcelona e, assim, obter recursos para contratar e formar excelentes jogadores.

Nesse período, Soriano reduziu custos e atuou com afinco para profissionalizar as áreas de marketing e finanças.

Em suas palestras, ele destaca que as pessoas não podem ser estimuladas somente com dinheiro. Soriano considera que o pagamento é importante forma de reconhecimento, mas afirma que as empresas precisam também infundir nos colaboradores o desejo de vencer.

No Barcelona, esse trabalho de conscientização e preparação vem sendo desenvolvido desde as categorias de base.

Ali, as crianças e adolescentes recebem uma formação integral. Aprendem a valorizar a instituição, a cuidar do corpo, a cultivar princípios e, obviamente, a jogar futebol de forma coletiva e cooperativa.

Cabe aqui lembrar que os catalães ensinam seus meninos a cuidar muito bem da redonda, a tê-la sempre perto. Por isso, o Barcelona procura atuar, dentro de campo, sempre com a bola, mantendo sua posse pelo maior tempo possível.

Seus jogadores são, assim, sempre protagonistas. Eles regem o espetáculo, não são coadjuvantes. O compromisso deles é com a bola e com a plateia. Não é com o árbitro nem com as canelas dos adversários.

Com certeza, os gestores empresariais podem aprender muito com este exemplo dos campeões mundiais.

Se o Brasil se encaminha para ser uma das potências econômicas mundiais, precisa deixar de lado a improvisação, o “jeitinho” malandro, a catimba, a cera e o chutão.

Copiemos, dentro e fora da empresa, a fineza do Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta e do brasileiro Daniel Alves. Busquemos competência técnica, responsabilidade e elegância.

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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quarta-feira, 21/12/11

  • Lauro Jorge Prado

    Ontem mesmo eu usei o time do Barcelona como exemplo em uma palestra sobre gestão da qualidade no dia-a-dia. Júlio você descreve magnificamente o nosso contexto(empresa brasileiras) . Temos muito o que evoluir.
    Parabés pelo texto.
    Lauro Prado

  • Rosimeirerocha

    Maravilhoso artigo!

  • Daniel

    Julio, você tem acompanhado O Vilson Ribeiro de Andrade na condução do Coritiba? Esse senhor esta dando um exemplo de modernidade em gestão, isso num clube considerado “pequeno” no futebol nacional. Como o senhor vê esse exemplo?

    • Anônimo

      Prezado Daniel,
      Felizmente, há alguns bons exemplos de gestão no esporte brasileiro. São raros, mas há.
      É o caso do Coritiba, Internacional de Porto Alegre e Santos.
      Obrigado pelo seu comentário e continue interagindo por aqui.

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