A insustentável leveza do chefão

Não tem segredo. As mais lembradas e estimadas organizações brasileiras são os times de futebol. Muitos de nós, com ou sem carteirinha de associados, somos membros de uma delas. Agora, que lições o esporte bretão pode oferecer ao mundo empresarial?

 

Eu diria que há duas categorias: o que se deve copiar e o que se deve rejeitar, a todo custo.

Vamos à primeiro conceito. Não foi por acaso que o Brasil se tornou o país mais vencedor, com cinco copas do mundo e três copas das confederações.

Nossas seleções sempre tiveram alguns dos maiores atributos do brasileiro. Valem esses exemplos…

1) O talento transdisciplinar, e ninguém melhor para representá-lo que o eterno santista Edson Arantes do Nascimento, nosso Pelé. Esse pegava até no gol se necessário. E muitas das nossas corporações têm esses virtuosos polivalentes, capazes de planejar, vender e até servir cafezinho numa reunião de gerência.

2) A ginga criativa, e aí vale lembrar do botafoguense Garrincha, o anjo de pernas tortas. Esse era imprevisível. Diante de um zagueiro parrudo, inventava um drible que ele mesmo era incapaz de explicar. E, de novo, as nossas companhias apresentam aqui e ali esse gênios, capazes de transformar um monte de aparas de plástico num brinde “turbinador” de vendas.

3) A ação motivadora, e vale lembrar de Dadá Maravilha, sempre sorridente, com seu humor sadio, permanentemente disposto a levantar a moral dos colegas. E sabemos que nossas equipes de trabalho sempre rendem mais quando temos um membro com essas qualidades, aquele que nos aquece a alma diante dos grandes desafios.

No entanto, o futebol também nos dá lições do que não fazer. Uma delas é a impaciência com os gestores diretos do futebol. Basta perder três partidas em seguida e o “professor” vai para o olho da rua.

Somente nas dez primeiras rodadas deste Brasileiro, oito técnicos perderam seus empregos, alguns deles reconhecidamente competentes.

Caso o modelo se torne o padrão, muitas empresas estarão em maus lençóis. Na verdade, é crescente o número de trocas de CEOs, aqui e no Exterior, por conta de vários fatores, inclusive breves sequências de resultados negativos.

Historicamente, as organizações mais bem sucedidas são aquelas que apostam no desenvolvimento de lideranças, na acumulação de conhecimentos específicos e num projeto estratégico de longo prazo.

Cabem três perguntas: será que vamos nos render à cultura do imediatismo e da impaciência? Será que as empresas vão atirar na rua seus vencedores Muricys? E você, o que faria?

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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quinta-feira, 20/08/09

  • http://brasilinteligente.wordpress.com/ Thiago Barrionuevo

    Carlos, bom dia!

    Estive em sua apresentação na ABTA e já havia deixado um comentário no post sobre consumidores digitais. Tenho 2 perguntas:

    1 – No contexto acima, poderíamos dizer que outras características importantes e essenciais seriam a dedicação, o esforço e o amor ao trabalho realizado? E como ícone destas, poderíamos citar o Ronaldo, com toda a sua história de superação e sucesso profissional?

    2 – Quanto ao texto anterior, como você vê a utilização do Twitter como ferramenta de comunicação da empresa de Tv por assinatura com o seu assinante? Existe espaço para o twitter como ferramenta interna de comunicação, entre áreas, por exemplo?

    Obrigado!

    Abraço!

    • http://www.carlosjulio.com.br Carlos Júlio

      Prezado Thiago,
      Mais uma vez obrigado pelo email.
      1- Ronaldo é sim um exemplo de superação digno de menção. Por outro lado, sendo uma pessoa publica, tem também a obrigação de ser exemplo como pessoa e, neste particular, deixa muito a desejar.

      2- Temos que entender o que é o Twitter. Serve para pequenas noticias sobre si ( pessoa ou empresa) já que quem segue o faz por opção própria, como se dizesse: quero saber o que você tem de novidade. Logo, uma empresa de TV por assinatura que tem um Twitter ativo, deve sim usá-lo como veículo de comunicação e relacionamento com seu publico.
      Abraços.

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