A escassez do mais valioso combustível dos negócios.
Há quem diga que a economia mundial é movida a petróleo. Para outros, é o capital que faz as coisas acontecerem.
Em antigas lendas árabes, no entanto, a água é tida como o líquido sagrado que permite o estabelecimento dos negócios. As rotas das caravanas no deserto, por exemplo, deviam necessariamente passar pelos oásis, postos naturais de hidratação de homens e animais.
Nas sociedades urbanas contemporâneas, o valor da água foi reduzido por conta da facilidade do acesso. Abrimos a torneira e o líquido cristalino jorra em profusão, já limpo e tratado.
Nem sempre foi assim e, para muitas sociedades, a escassez de água representou o fim da economia. Como mostro em meu livro A Economia do Cedro, muitas civilizações simplesmente foram extintas quando perderam o acesso regular à água.
Hoje mesmo, segundo relatórios da ONU, muitos dos países mais pobres são justamente aqueles que enfrentam problemas para gerir seus recursos hídricos.
A água é, ao mesmo tempo, vida e morte. Quando bem tratada, sustenta a vida e os negócios humanos. Quando contaminada, é letal. O consumo de água imprópria é o principal causador de mortalidade infantil, especialmente em áreas como a África Subsaariana e o sudeste asiático.
O que precisamos entender é que a água é um bem escasso e que “lavá-la” não é simples como se imagina.
Limpar um rio custa caro, muito caro, e leva tempo. É o que vemos, por exemplo, nas obras do Tietê, que corta as terras paulistas.
Também é complexa a tarefa de preservar os lençóis freáticos que, aos poucos, de forma invisível, vão sendo contaminados por agrotóxicos. No Aquífero Guarani, em parte sob o Centro-Sul do país, já se detectam pontos de contaminação por resíduos químicos da agricultura.
Há quem diga que esse reservatório é muito grande, e que os pontos de deterioração são restritos.
É uma verdade relativa. Considerada a idade do planeta e o próprio tempo da trajetória humana, esses processos degenerativos são extremamente rápidos.
No tempo de uma vida, um homem pode ver um lago azul virar um pântano. Assim como pode testemunhar o desaparecimento da diversidade marinha em determinada área, seja em razão da pesca predatória, seja em razão de atividades extrativas não sustentáveis.
No caso do Brasil, a água tem papel fundamental na economia. Onde ela historicamente faltou, como no caso do Nordeste, os negócios demoraram a florescer.
Hoje, o sistema hidrelétrico é fundamental para gerar energia para nossas indústrias. E também para fazer funcionar a sua televisão, o seu chuveiro e até este computador, pelo qual lê este artigo.
Sem água em abundância, não há indústria de transformação, não há economia, não há conforto doméstico, não há vida saudável.
Ok, você pode dizer que faz sua parte: não usa a mangueira para lavar o carro e toma banhos curtinhos. Isso é ótimo.
No entanto, não basta. Cuidar da água exige também uma gestão sistêmica de proteção das fontes e de tratamento e reciclagem dos volumes utilizados.
Neste Dia Mundial da Água, sugiro duas reflexões simples:
1. Pense em como seria o seu negócio (por menor que ele seja) se lhe faltasse água. Ele ainda existiria?
2. Pense seriamente em como você trata a água que a natureza lhe empresta. Quanto você usa e como a devolve?
quinta-feira, 22/03/12























