8 dicas para você contratar o melhor profissional para sua empresa.

Este é um post que fiz pensando em ajudar na gestão de pessoas.

Acredita-se que recrutamento e seleção têm como objetivo definir a contratação dos melhores profissionais para uma determinada área da empresa. 

Ora, mas considerando a mudança veloz nos mercados e nos processos de trabalho, eu arrisco lançar a pergunta:

- O que garante que esse novo colaborador vai atender às demandas da companhia em um ano, em um mês ou em uma semana?

No Brasil, em especial, esse tem sido o principal equívoco dos departamentos encarregados de localizar e arregimentar talentos para as corporações em crescimento.

Muitos de meus amigos executivos acabam desiludidos.  Confira aqui as 3 principais reclamações de executivos na hora de contratar um profissional:

  1. Os novos funcionários são excelentes, mas foram contratados para um tipo de serviço que, em breve, não executaremos mais;

  2. Os novos funcionários são competentes, mas não seguem o ritmo da mudança, pois estão presos aos paradigmas de currículos ultrapassados;

  3. Os novos funcionários são tecnicamente capazes, mas se mostram individualistas demais para compreender a dinâmica dos processos colaborativos em busca de resultados.

No primeiro caso, lidamos frequentemente com profissionais que se mostram aptos a contribuir em operações convencionais de produção ou negociação.

Se a empresa se reinventa, porém, muitos se revelam incapazes de encarar os novos desafios. Alguns enxergam na mudança um problema e reagem negativamente à exigência de um novo aprendizado.

No segundo caso, temos gente de talento, mas que resiste ao “fazer diferente”. Pretendem reproduzir para sempre o modus operandi aprendido na escola ou nas empresas às quais serviram anteriormente.

Costumam mostrar insegurança e até mesmo reagir com indignação quando se solicita que modifiquem seus métodos. É o pessoal do by the book, que sempre faz cara feia para a inovação.

No último exemplo, lida-se principalmente com talentos digitais da Geração Y (1979 – 1994), especialmente aqueles das últimas fornadas.

Tecnicamente competentes, encaram múltiplas tarefas simultaneamente. São intuitivos, rápidos e inovadores.

Muitos deles, no entanto, passam o período de trabalho com fones enfiados nos ouvidos.

Ouvem pouco, nem sempre são entusiastas do trabalho coletivo e frequentemente não compreendem as demandas do empregador e de seu público.

É o caso do web designer que produz uma página linda, moderníssima, mas que não pode ser compreendida e adequadamente navegada pelos clientes da empresa.

Os profissionais de recrutamento e Recursos Humanos precisam hoje, portanto, copiar a conduta dos jogadores de xadrez.

Precisam pensar quatro, cinco, talvez dez jogadas adiante. Isso quer dizer que não podem apenas contratar pessoas para o que a empresa “é”, mas para o que “virá a ser”.

Há uma década, escrevi meu primeiro livro: Reinventando Você. Ali, eu já mostrava que as empresas estavam se reinventando e que, desse modo, os profissionais também teriam de se reinventar.

Confira aqui os 8 fatores mais importantes analisados por bons headhunters na hora de contratar um profissional:

  1. Ideia de sustentabilidade e responsabilidade;

  2. Conexão dinâmica com as equipes de trabalho e com o mercado;

  3. Versatilidade e disposição para inovar;

  4. Empenho para aprender com as novas experiências;

  5. Capacidade de intra-empreender;

  6. Visão holística de processos, do planejamento ao pós-venda;

  7. Abordagem humanista da ação produtiva;

  8. Os melhores profissionais da área precisam falar Inglês, ter conhecimento de processos de gestão e comunicação empresarial, saber trabalhar em equipe e, sobretudo, entender de pessoas.

O que está em curso, portanto, é uma metamorfose na ideia do fazer. As novas profissões estão sendo redesenhadas pelo vento das mudanças. Um bom caso é o da Tecnológica da Informação (TI).

Já não basta ser um bom técnico.

Eu pergunto: de que adianta um ótimo especialista que não sabe adequar o produto de seu esforço às necessidades específicas do negócio?

Convém destacar que toda informação deve, em algum momento, transformar-se em ferramenta para as pessoas envolvidas na produção de bens ou na prestação de serviços. O novo profissional de TI deve, portanto, trabalhar na geração de conexões inteligentes e duradouras.

Apresento outro exemplo notável. Até recentemente, falava-se em gestor ambiental e em profissional de turismo.

No dias atuais, muitas agências buscam pessoas com um mix dessas habilidades. O gestor de turismo ambiental tem um extraordinário desafio pela frente.

É sua incumbência derrubar o mito de que as joias da natureza devem ser reservadas aos eleitos da ciência e aos militantes do preservacionismo.

Dessa forma, ele projeta atividades que aproximam as pessoas comuns das melhores paisagens, cuidando para produzir o menor impacto possível e para gerar nos visitantes uma consciência ecológica mais evoluída.

Afinal, as pessoas cuidam daquilo que apreciam, das coisas que assumem simbologias próprias em suas experiências. Esse novo profissional utiliza-se de uma abordagem holística e participativa para despertar o interesse das pessoas pelo meio ambiente.

Com certeza, esse é o caminho para a construção de uma postura coletiva responsável e também para a obtenção de fundos a serem investidos nos projetos de preservação.

Na minha palestra que chamo de Economia do Cedro (e também é título de meu mais recente livro), as profissões podem até manter suas denominações originais. Mas é certo que os profissionais terão de reinventar seus procedimentos e condutas.

Se o mundo está mudando velozmente, é fundamental modificar o jeito de recrutar e selecionar pessoas. Hoje, vale tanto o “know-how” quanto “imagine-how”.

No caso dos novos profissionais, portanto, o conceito de “valor” está solidamente associado à disposição para aprender cooperativamente, ao talento para desenvolver atividades transdisciplinares e, obviamente, ao empenho no processo de reinvenção permanente.

Se você é um recrutador e ainda não sabe disso, reinvente-se com urgência!

Carlos Júlio é professor, palestrante, empresário e escritor. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook. 

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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sexta-feira, 16/09/11