2017: por que encantar é preciso?

Businessman Holding Small Brown We Love Customer Signage.Tempos difíceis. Muita gente partiu, revelando a fragilidade da vida. A política exagerou em terríveis desfeitas. A economia tropeçou, ralou os joelhos e agora manca.

Porém, agora vem 2017. E ele não será complacente com a indolência, o medo, a lentidão, a ineficiência e a ignorância. É necessário resistir, produzir mais por menos, inovar, qualificar, propagandear, vender, embalar, entregar e fidelizar o cliente.

Enfim, para sobreviver e prosperar em mercados receosos e reduzidos, será necessário encantar.

Guy Kawasaki, escritor, co-fundador da Alltop e ex-chief evangelist da Apple, oferece algumas dicas para que mesmo o pequeno negócio possa gerar o engajamento obtido pelas top marcas globais.

Autor do celebrado Enchantment: The Art of Changing Hearts, Minds and Actions, ele adverte que o “encantamento” nada tem a ver com manipular ou ludibriar pessoas.

Em sua visão, o verdadeiro encantamento transforma situações e relações, converte hostilidade em civilidade, e civilidade em afinidade. Transforma céticos e cínicos em crentes e faz com que os indecisos se tornem leais.

Muita filosofia? Então, sejamos mais práticos. O encantamento pode surgir em uma negociação de varejo, em um acordo corporativo de alto nível ou em uma simples atualização no Facebook.

Quando ocorre, é mais poderoso que a persuasão tradicional, baseada nas técnicas consagradas do marketing.

O objetivo não é somente ganhar um novo cliente ou consumidor. É conquistar uma voluntária e duradoura mudança nas pessoas. É gerar simpatia e confiança a fim de mudar corações, mentes e ações.

Sejamos ainda mais diretos. Em épocas bicudas, as pessoas retêm o dinheiro, tornam-se mais exigentes e adquirem somente aqueles itens que julguem carregar apropriado valor.

Para sobreviver nestes ambientes, é preciso deliciar as pessoas com um produto, serviço, organização ou ideia. Segundo Kawasaki, esta é a forma mais pura de se trabalhar com marketing e vendas.

A primeira dica do especialista é “conte a história”. Trocando em miúdos: constitua uma narrativa honesta sobre sua ideia, seu negócio e seu produto. Explique o porquê da coisa que você vende. Mostre suas virtudes, seus diferenciais e prove que ela retribui em justo benefício o dinheiro desembolsado pelo cliente.

A segunda sugestão é: plante muitas sementes. Não se contente em comunicar para os jornalistas e analistas. Alce sua voz para os anônimos, para os invisíveis, para os distantes e para os esquecidos.

Hoje, um sujeito com o pseudônimo Meninorebelde97 pode ter um milhão de seguidores. Ele é capaz de catapultar ou enterrar o seu negócio.

Em terceiro lugar, é preciso mostrar sua magia para as pessoas. Acolha-as em sua casa. É assim que faz um artesão soprador de vidro em Veneza. É assim que fazem as melhores fábricas de chocolate.

Crie turnês. Você produz vinho? Mostre o processo de fabricação, promova o engajamento e ofereça a experiência da degustação.

Você tem uma confecção? Exiba seu complexo e curioso processo fabril. Encante ao provar que um retalho de tecido pode virar uma peça de proteção para operários da indústria química ou simplesmente uma lingerie sensual.

2017 está logo aí, atrás da sua porta. Se há crise, cogite de surfar em suas ondas. Para isso, cante, conte e encante.

Construa a oportunidade.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

Carlos Júlio Carlos Júlio: professor, palestrante, empresário e escritor. Leia mais artigos do Magia da Gestão. Siga @profcarlosjulio no twitter e seja fã no Facebook.
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segunda-feira, 26/12/16